"A única solução viável é uma solução política", defende Augusto Santos Silva para o fim da guerra na Ucrânia

"A única solução viável é uma solução política", defende Augusto Santos Silva para o fim da guerra na Ucrânia

"As soluções duradouras são sempre políticas", afirma o antigo ministro da Defesa Nacional e dos Negócios Estrangeiros.

Andreia Brito com Frederico Moreno /

Fotografia: Andreia Brito

No programa da Antena 1, Consulta Pública, Augusto Santos Silva assume ainda que essas soluções duradouras “são sempre soluções em que mesmo quando vencemos os adversários temos a inteligência de acomodar certos interesses dos adversários e de não os humilhar excessivamente”.

É por isso que o antigo governante acredita que a única solução viável para o fim do conflito é “uma solução política que passa, na Europa, por permitir à Ucrânia decidir com liberdade o seu futuro e dar à Rússia as garantias de segurança legitimas de entre as muitas ilegítimas que a Rússia apresenta”.

Quanto ao Médio Oriente não tenho a mínima dúvida de que enquanto não resolvermos a questão Palestiniana, o Médio Oriente continua a ser um barril de pólvora”, acrescenta.

Nesta entrevista ao Consulta Pública, Augusto Santos Silva revela que, da altura em que foi ministro da Defesa Nacional, “nunca me esquecerei das vezes em que Generais e Almirantes me disseram: «nunca perca de vista que o que fazemos é assegurar as condições para o território estar salvaguardado e as populações estarem defendidas e comprar tempo aos políticos e diplomatas para que eles encontrem as melhores soluções»”.

José Miguel Sardica partilha da mesma opinião, de que “isto só se poderá resolver no dia em que houver força suficiente para que a Ucrânia possa decidir livremente se pode ser um país democrático europeizado, se se pode juntar à NATO, se a Ucrânia é ou não livre de decidir a política externa, o alinhamento internacional”.

No entanto o historiador e professor catedrático da Universidade Católica entende que “neste momento não acho que haja condições para uma coisa ou outra”.

Defende o académico que “a União Europeia, neste mundo de guerras híbridas, de ciberguerras, de conflitos congelados e de alianças que se entrecruzam com circuitos estranhos, a UE vai ter de pensar numa estrutura institucional mais maleável que não tenha apenas Estados-membros, mas tenha estados associados”.
“Guerra ficar congelada, era a pior coisa que nos podia acontecer”
Quando olhamos para o teatro de operações, não vemos avanços russos. Pelo contrário vemos uma guerra congelada, com uma ligeira vantagem para a Ucrânia”, quem o diz é Helena Ferro Gouveia.

É por isso que a analista de risco geopolítico entende que "esta guerra, ficar congelada, era a pior coisa que nos podia acontecer”, apesar de prever que “podemos estar perante o princípio do fim deste conflito".

Nuno Gouveia discorda. Para o especialista em política norte-americana “esta guerra parece não ter um fim próximo ou uma solução negociada entre as partes”.

Ainda assim refere que “o que me parece positivo é a aproximação entre os EUA e a Ucrânia. Neste momento existe algum interesse dos EUA em apoiar a Ucrânia para derrotar a Rússia”.

Na opinião de Nuno Gouveia isso acontece devido “à sensação de que a Ucrânia está a resistir à Rússia. Que está a vencer, se é que podemos dizer isso”.

Para essa sensação de vitória pode estar a contribuir o que vai acontecendo no terreno. João Fonseca Ribeiro, comandante e membro do Observatório de Segurança e Defesa da SEDES, explica que "a Ucrânia, com apenas dois por cento dos recursos humanos das forças armadas, é responsável por 30 por cento das baixas russas”.

Todo o mundo está numa fase de fragilidade. Há evidências de ascensão da estratégia do tempo que implica a aplicação de sanções económicas, o bloqueio geográfico e digital e a utilização de novos meios não tripulados”, explica Fonseca Ribeiro.

Catarina Caria reforça essa ideia dizendo que “estamos numa nova era de guerras eternas, guerras de desgaste e que prometem muito em praça pública em termos de negociações e de avanços diplomáticos, mas cujas ações no terreno minam qualquer tentativa de uma negociação séria”.

A especialista em assuntos internacionais refere mesmo “esta diplomacia pendular que nem sempre é produtiva e nem sempre traz os melhores resultados”.

O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
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