Abstenção na capital acima da média nacional
A abstenção nas nove eleições para a Câmara Municipal de Lisboa foi sempre superior à média nacional, excepto em 1976 e 1982.
As diferenças aumentaram nos anos 80 e 90, enquanto nas primeiras autárquicas livres após o 25 de Abril, em 1976, até foram inferiores à média nacional.
A abstenção foi menor em eleições mais disputadas, como as que deram a vitória a Jorge Sampaio, à frente de uma coligação de esquerda PS-PCP, em 1989, e a Pedro Santana Lopes, do PSD, em 2001.
O valor mais alto de abstenção (51,71 por cento) registou-se nas eleições de 1997, em que o socialista João Soares reeditou a vitória com uma aliança de esquerda.
O valor mais baixo (27,9 por cento) aconteceu em 1982, na reeleição de Nuno Krus Abecassis, do CDS.
Depois de 1985, a taxa de abstenção foi sempre superior a 40 por cento.
A explicação dos sociólogos para o aumento, em Portugal e na Europa, da abstenção - o não exercício do voto, por definição - tem várias causas.
Um estudo citado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) aponta algumas: a apatia dos cidadãos, a indiferença perante a política, a falta de competitividade em algumas eleições, a falta de confiança nas instituições e ainda a banalização do acto de votar (40 actos eleitorais em 30 anos de democracia).
O sociólogo Manuel Braga da Cruz, num ensaio de 1995 também explica o aumento da abstenção, de 1975 a 1991, como indicador de uma certa normalização do regime democrático e da diminuição da conflitualidade social e política.
Outro sociólogo, André Freire, investigador do Instituto de Ciências Sociais (ICS), alerta que um dos "sinais mais negativos quanto ao funcionamento da democracia" é o aumento da abstenção, num ensaio publicado em 2002.
"[É] um indicador de que um número substancial e cada vez maior de eleitores não está a utilizar as eleições como veículo para canalizar a sua insatisfação face aos governos, à elevada distância sentida pelos cidadãos perante o poder, ao seu baixo sentido de eficácia política e, sobretudo, ao forte criticismo dos eleitores face à classe política e aos partidos", escreveu.
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Eleições autárquicas em Lisboa
Evolução da taxa de abstenção
(1976-2002)
1976: 33,54 por cento
(35,34 por cento a nível nacional)
1979: 28,26 por cento
(26,26 por cento a nível nacional)
1982: 27,79 por cento
(28,95 por cento a nível nacional)
1985: 41,21 por cento
(36,98 por cento a nível nacional)
1989: 45,17 por cento
(39,14 por cento a nível nacional)
1993: 46,51 por cento
(36,57 por cento a nível nacional)
1997: 51,71 por cento
(39,9 por cento a nível nacional)
2001: 45,17 por cento
(39,88 por cento a nível nacional)
2005: 47,5 por cento
(39,06 por cento a nível nacional)