Acorrentados recusam-se a abandonar Palácio de Belém
Manifestantes de Canas de Senhorim estão acorrentados em frente ao Palácio de Belém e dizem só abandonar o local quando tiverem alguma garantia de que Jorge Sampaio vai analisar a possibilidade daquela localidade subir a concelho.
Enquanto o Presidente da República, Jorge Sampaio, discursava no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Lisboa, 25 habitantes de Canas de Senhorim acorrentavam-se uns aos outros em frente ao Palácio de Belém em protesto contra a decisão presidencial tomada no ano passado que impossibilitou que Canas fosse elevada a Concelho.
"Em 2000, fomos acusados de estragar as comemorações do 25 de Abril. Hoje como não queríamos estragar as do 5 de Outubro, viemos manifestar-nos para aqui", disse à Lusa Luís Pinheiro, líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim (MRCCS), justificando desta forma a escolha de um local onde Jorge Sampaio só deverá estar da parte da tarde.
Ainda não eram 8:00, quando meia centena de manifestantes abandonou a sua terra situada no distrito de Viseu para conseguir estar em frente ao Palácio de Belém antes do meio-dia.
às 11:30, os 52 manifestantes chegaram "discretamente" a Belém e, perante o olhar da polícia, cerca de metade dos presentes decidiu acorrentar-se em frente ao palácio presidencial.
Apesar dos agentes da PSP terem avisado que não se podiam manifestar a menos de 10 metros de um órgão de soberania, os revoltosos recusaram-se a abandonar o local até que dois dos seus representantes trouxessem alguma novidade do interior do palácio.
O líder do Movimento de Restauração do Concelho de Canas de Senhorim, Luís Pinheiro, e António Sampaio, foram os escolhidos para apresentar as posições dos moradores daquela vila.
Caso Jorge Sampaio não reavalie a decisão tomada em Julho do ano passado, quando vetou o decreto-lei que permitia a criação do concelho de Canas de Senhorim, os habitantes da vila admitem vir a "tomar atitudes fundamentalistas", garantindo não se importar de "morrer pela terra e pelos filhos".
Entre insultos ao presidente, acusado de ser "mentiroso" e de "não cumprir o prometido", os revoltosos empunhavam cartazes dizendo:
"Canas está a ser roubada, com o apoio do senhor presidente".
Enquanto entoavam a canção "soltem os prisioneiros", os manifestantes exibiam bandeiras da vila de Canas de Senhorim em t-shirts e autocolantes.
Luís Pinheiro recorda que os moradores de Canas já fizeram três greves de fome de oito dias cada uma e já foram dez vezes em manifestação à Assembleia da República, reconhecendo que estas formas de protesto "de nada têm adiantado".