Adesão quase nula em serviços da Segurança Social e do Centro de Emprego do Porto
Porto, 14 (Lusa) - As dezenas de pessoas que se acumulavam no passeio exterior à Tesouraria da Segurança Social, na Rua das Doze Casas, Porto, faziam pensar numa forte adesão à greve de hoje, mas no interior, aparentemente, todos os funcionários ocupavam o respectivo lugar.
"Isto [extensa fila de pessoas] é o que acontece todos os meses nos últimos dias de pagamento das contribuições e hoje até está a correr muito bem", disse à Lusa uma funcionária da Segurança Social que organizava a fila de pessoas.
A mesma fonte, que não quis identificar-se, disse não ter conhecimento de que algum funcionário daquele serviço tivesse aderido ao protesto.
"Basta olhar para perceber que está toda a gente a trabalhar", acrescentou.
À espera de atendimento, dois aposentados da Função Pública, que ali se deslocaram para "ajudar amigos", disseram que só se aperceberam da greve "pelas notícias", mas que "até ao momento" não sentiram os seus efeitos.
Um deles disse, com orgulho, que em "38 anos e meio" de funcionário público "nunca" fez greve, criticando de forma implícita o protesto dos funcionários da administração central.
Atrás de si, uma mulher de 49 anos, funcionária de um centro de distribuição de produtos naturais, intervém para dizer que também ela nunca fez greve.
"Eu sou responsável, se eu fizesse greve não era o patrão que eu prejudicava, era os clientes", disse, considerando que com as greves "também não vamos a lado nenhum".
Há vinte minutos à espera, Maria de Jesus, empregada de escritório, disse à Lusa que só teve conhecimento da greve hoje de manhã, também pelas notícias, mas que, mesmo assim, resolveu arriscar.
"Hoje até está a correr muito bem. Já me tem acontecido estar aqui uma hora para fazer o pagamento", acrescentou.
A fumar um cigarro, na porta da entrada dos funcionários, José Nogueira, que trabalha há 21 anos na Segurança Social, disse ter a noção de que o protesto estava a ter uma fraca adesão nos serviços da Rua das Doze Casas.
"Acho que os motivos da greve são válidos, mas a gente chega ao final do mês e nota-se a diferença", disse, explicando que não aderiu por razões financeiras.
Também no Centro de Emprego da Rua Guedes de Azevedo, na baixa portuense, não eram visíveis os efeitos do protesto dos trabalhadores da administração central.
Em declarações à Lusa, a desempregada Celeste Ribeiro, que ali se deslocou para se inscrever num curso de informática, contou que os serviços estavam a funcionar de forma "normal".
"Estive cá na segunda-feira e os funcionários são os mesmos", acrescentou.
Um funcionário deste centro de emprego confirmou que a adesão naquele serviço era "fraca".
"Se faltam duas pessoas, é muito", frisou.
Na sala de espera, cerca de uma dezena de pessoas aguardava a sua vez, a maioria das quais foi convocada para comparecer hoje.
Os trabalhadores da administração central estão hoje em greve e vão manifestar-se durante a tarde, para encerrar uma semana de luta contra as politicas do Governo para o sector.
A paralisação abrange o pessoal não docente das escolas, o pessoal administrativo, auxiliar e técnico de diagnóstico dos hospitais e centros de saúde, e os funcionários dos diversos ministérios.
A greve na administração central, convocada pela Federação Nacional de Sindicatos da Administração Pública (CGTP) coincide com a realização de uma manifestação de protesto, entre o Ministério das Finanças e S. Bento, que integra os trabalhadores do Município de Lisboa.
O novo diploma dos vínculos, carreiras e remunerações, o congelamento de escalões, a imposição de quotas no sistema de avaliação e o aumento da idade de reforma são algumas das matérias que levaram a Frente Comum de sindicatos da Administração Pública (CGTP) a convocar esta semana de luta.
A semana de protesto tem como objectivo a defesa do vínculo de nomeação de emprego público e da estabilidade de emprego e defesa da revisão intercalar dos salários.
PM/RRA.