Adolescentes com bulimia têm ideias suicidas
Os doentes com bulimia nervosa, que comem compulsivamente, apresentam tendências suicidas e devem receber tratamento simultâneo para as duas problemáticas, revelou um estudo do Hospital de Santa Maria, apresentado hoje em Lisboa num encontro sobre adolescência.
"Há uma relação entre a bulimia e a ideação suicidária, estão associados, nuns casos será causa noutros consequência", disse à Lusa a psicóloga Raquel Mendes, que realizou o estudo com Daniel Sampaio, Dulce Bouça, António Neves, Ema Neves e Nazaré Santos.
A investigação concluiu que "o crescente sofrimento e angústia devido ao mantido controlo (ou descontrolo) dos comportamentos e a baixa tolerância à frustração de ambos os doentes, pode levar a situações de desesperança e ideação suicidária".
O estudo comparou as ideias suicidas de 20 adolescentes do Núcleo de Estudos Suicidários (NES) e 20 adolescentes do Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar (NDCA) do Hospital de Santa Maria.
Segundo Raquel Mendes, este estudo veio chamar a atenção para a necessidade de um tratamento específico para as tendências suicidas ao mesmo tempo que é realizada a terapia referente aos distúrbios alimentares, como a bulimia, que se caracteriza pela ingestão compulsiva de alimentos seguida de uma "compensação", normalmente pelo vómito.
"Todas as doenças do comportamento alimentar se sobrepõem ao resto e, se não tivermos atenção, a pessoa será tratada apenas do distúrbio alimentar", explicou, acrescentando que a bulimia pode "camuflar" doenças como a bipolar.
Esta aparente prevalência das doenças do comportamento alimentar deve-se ao facto destas serem a fonte mais directa de sofrimento do doente, explicou à Lusa Raquel Mendes.
"A questão do suicídio não pode ser omitida ao doente [de distúrbios alimentares] ou às famílias", sublinhou.
O estudo mostra que tanto os doentes que estão internados devido a tendências suicidas como aqueles que se encontram em tratamento da bulimia "apresentam valores significativos de depressão", um indicador de risco de suicídio.
Ambos os grupos apresentam ainda "marcadas dificuldades ao nível da sensibilidade interpessoal".