Advogado casapiano Pedro Namora testemunha 4ª feira no julgamento
Pedro Namora, o advogado e antigo aluno da Casa Pia que se destacou na denúncia dos casos de pedofilia na instituição, testemunha quarta-feira no julgamento do processo, numa sessão aberta à comunicação social.
Depois de rebentar o escândalo de pedofilia na instituição, a 23 de Novembro de 2002, pela mão da jornalista Felícia Cabrita, e da prisão do ex-motorista casapiano Carlos Silvino da Silva ("Bibi"), por abuso sexual de alunos, Pedro Namora e o seu companheiro de Casa Pia Adelino Granja e também advogado destacaram-se na denúncia de nomes e situações de abusos.
Mas a relação que já vinha desde os estudos na Casa Pia de Lisboa, há mais de 20 anos, e a união na denúncia dos abusos veio a esfriar desde essa altura e a amizade entre ambos terminou nos tribunais, com processos cruzados por difamação, depois de insinuações, críticas e acusações.
Pedro Namora, actualmente com 40 anos, terá sido uma das fontes de informação da jornalista Felícia Cabrita e foi a ele, na qualidade de advogado, que Carlos Silvino recorreu quando rebentou o escândalo de pedofilia, tendo-o este remetido para uma colega de escritório.
Namora, que disse ter sido alvo de duas tentativas de abuso sexual por parte de "Bibi" quando era aluno da Casa Pia, apareceu em tudo o que era jornais, rádios e televisões a comentar os acontecimentos com alunos da instituição, remetendo-se depois a um prudente silêncio.
Ficou também conhecida uma desavença com o apresentador de televisão Carlos Cruz, um dos sete arguidos no processo de pedofilia que está em julgamento, que Namora acusou de lhe ter endereçado um despropositado convite para trabalhar com ele.
O antigo aluno casapiano, que lançou um livro intitulado "A dor das crianças não mente", criticando a forma como as alegadas vítimas foram tratadas durante o processo de pedofilia, insurgiu-se também contra o facto de o humorista e apresentador de televisão Herman José e o ex-deputado socialista Paulo Pedroso não terem sido levados a julgamento (pronunciados) no processo que está a correr em tribunal.
O colectivo de juízes decidiu antecipar o testemunho de Pedro Namora, intercalando-o com o das alegadas vítimas que estão a depor em julgamento, devido ao facto de o advogado ter que se ausentar para o estrangeiro, pelo que a sua audição foi marcada para quarta-feira, admitindo-se que se possa estender a quinta-feira.
Durante a audição de Pedro Namora, os sete arguidos do processo de pedofilia estarão presentes na sala, numa audiência que será aberta à comunicação social, ao contrário do que tem acontecido nos depoimentos das vítimas, em que o tribunal tem estado vedado aos jornalistas.