Advogado de Júlio Monteiro garante que "nenhuma suspeita recai" sobre tio de Sócrates
Lisboa, 18 Fev (Lusa) - O advogado do empresário Júlio Monteiro garantiu hoje que este "entrou e saiu como testemunha" do Tribunal de Cascais, onde foi ouvido no "caso Freeport", e que "nenhuma suspeita recai sobre o comportamento" do tio do primeiro-ministro.
No final da inquirição realizada pelos procuradores do Ministério Público, o advogado Sá Leão adiantou aos jornalistas que Júlio Monteiro "prestou todos os esclarecimentos que lhes foram pedidos" e que, "de facto, nenhuma suspeita recai sobre o comportamento e actuação do senhor engenheiro", tio de José Sócrates.
"Não foi considerado suspeito de traficar influências, nem foi tratado como suspeito", assegurou Sá Leão, em resposta às perguntas dos jornalistas, salientando que na inquirição de hoje não surgiram factos novos e "nada há a acrescentar" ao que veio nos jornais e foi dito em entrevista à televisão por Júlio Monteiro.
À saída do tribunal, Sá Leão garantiu também que das buscas feitas à casa de Júlio Monteiro "não resultou absolutamente nada" e disse nada saber sobre informações que indicam já terem sido constituídos dois arguidos no âmbito do "caso Freeport".
Sá Leão e Júlio Monteiro disseram também não terem contactos com o empresário escocês Charles Smith, nem com o empresário Manuel Pedro, cujos nomes têm aparecido associados ao caso do "outlet" de Alcochete.
Sá Leão explicou que a diligência no Tribunal de Cascais demorou três horas "porque tiveram tempo para tomar café, para conversar" e até "para falar com a inspectora que foi sua colega de faculdade". "Estivemos numa conversa extremamente animada", relatou.
À semelhança do que dissera quando entrou no tribunal, o tio de José Sócrates reiterou à saída estar "completamente" de consciência tranquila.
Disse também que "nunca" temeu sair do tribunal como arguido e repetiu a ideia de que se alguém recebeu dinheiro no âmbito do "caso Freeport" "nada sabe". Notou desconhecer, inclusive, se eventualmente "houve algum dinheiro".
Sá Leão revelou que Júlio Monteiro foi ouvido pelos dois procuradores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), encarregados do caso, Vítor Magalhães e Pais Faria, e por quatro inspectores da PJ.
O processo relativo ao espaço comercial Freeport de Alcochete está relacionado com suspeitas de corrupção na alteração à Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo (ZPET) decidida três dias antes das eleições legislativas de 2002, através de um decreto-lei, quando era ministro do Ambiente José Sócrates.
Em Setembro passado, o processo do Freeport passou do Tribunal do Montijo para o DCIAP.
A 10 e 17 de Janeiro, o Ministério Público emitiu comunicados onde esclarecia que, até àquele momento, não havia indícios do envolvimento de qualquer ministro português, do actual Governo ou de anteriores, em eventuais crimes de corrupção relacionados como o caso.
FC/CC.