Água da torneira com nível excelente e 99 por cento segura

Água da torneira com nível excelente e 99 por cento segura

A água da rede pública em Portugal é de qualidade excelente, segundo os critérios internacionais, ao chegar aos 99 por cento. Os dados contam de um relatório divulgado pela Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos. Há cerca de 20 anos, apenas 50 por cento da água consumida era considerada segura.

Cristina Sambado e Sara Piteira - RTP /
Muhammad Hamed - Reuters

“O setor do abastecimento público de água em Portugal tem sofrido nos últimos anos uma evolução significativa, em especial nos níveis da qualidade da água fornecida na torneira dos consumidores, podendo garantir-se hoje que 99 por cento da água é controlada e de boa qualidade (água segura), quando em 1993 este indicador se cifrava apenas nos 50 por cento”, lê-se no relatório anual sobre o “Controlo da Qualidade Água para Consumo Humano” referente a 2015. 



Segundo o documento, “nos últimos anos a percentagem de água controlada e de boa qualidade tem vindo a aumentar de forma contínua. Se em 1993 apenas cerca de 50 por cento da água poderia ser considerada segura, em 2015 o indicador água segura para Portugal continental situa-se nos 98,65 por cento (98,41 por cento em 2014), o que revela a consolidação da melhoria da qualidade da água.

“O número de concelhos com 100 por cento de análises realizadas passou de 263 concelhos em 2014 para 266 concelhos em 2015, correspondendo a 96 por cento do total dos concelhos de Portugal continental (278). Dos 12 concelhos com algumas análises em falta, nove concelhos apresentam percentagens de análises realizadas inferiores à média do País (99,93 por cento)”, frisa o documento.

Em 2015 foram realizadas mais de meio milhão de análises, ficando por fazer 330, o que está em linha com anos anteriores e significa que o controlo continua a ser feito “com grande rigor e com resultados que permitem ter uma ideia muito precisa e exata do que é qualidade da água nas torneiras”.

“A maioria dos concelhos apresenta uma percentagem de água segura igual ou superior à meta de 99 por cento (objetivo de excelência), o que reforça o facto de Portugal apresentar excelentes níveis de qualidade da água na torneira do consumidor”.



O relatório ressalva que, “no que concerne aos concelhos que não atingiram o nível de água segura superior a 95 por cento, verifica-se que são em número muito reduzido, são apenas quatro concelhos: três devido às zonas de abastecimento fontanários origem única, dois da região Centro, um da região Norte, e um localizado no Alentejo (Alcácer do Sal) devido à situação de análises em falta face ao número regulamentar. Recorda-se que em todas as situações de incumprimento ocorridas houve acompanhamento por parte das autoridades de saúde e da ERSAR de forma a ser salvaguardada a saúde pública”.

“As melhorias verificadas na qualidade da água são sustentadas por um exigente controlo, acompanhado por um crescente rigor na aplicação da legislação pelos diferentes atores no processo (ERSAR, entidades gestoras, autoridades de saúde e laboratórios), traduzido na realização da quase totalidade das análises impostas pela legislação e numa crescente melhoria da fiabilidade dos resultados analíticos”, lê-se no documento.
Nível de excelência
“Passámos de uma qualidade muito boa para uma situação de excelência e atingimos pela primeira vez, em 2015, 99 por cento de água segura, o que é um critério considerado internacionalmente um nível de excelência”, afirmou Luís Simas, diretor do Departamento da Qualidade da Água da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR).

Carla Diogo, Carlos Matias, José Rui Rodrigues - RTP


“A grande maioria dos incumprimentos que, neste momento, estão a ser detetados na água não tem uma relação direta com a proteção da saúde humana, mas funcionam como um alerta para que não sejam tomadas as medidas adequadas e evitar que a situação piore”, acrescentou Luís Simas.

Grande parte dessas situações está “no interior do país e nas zonas de abastecimento mais pequenas e menos no litoral e nas zonas densamente habitadas”.

Ainda segundo Luís Simas, “os restantes incumprimentos referem-se a parâmetros obrigatórios que acontecem pontualmente, por características das origens da água ou porque o tratamento não funcionou com a eficiência que deveria ter funcionado e, quando são detetadas, a entidade gestora está obrigada a corrigi-los”.
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