Alberto João desiste de apresentar candidatura

Alberto João desiste de apresentar candidatura

Alberto João Jardim comunicou ao início da tarde que está fora da corrida à liderança do PSD. O anúncio do presidente do Governo madeirense foi feito durante a Reunião Política do Conselho Regional do PSD.

Paulo Alexandre Amaral, RTP /
"As pessoas entendem que, neste momento de vida, não preciso, nem me é cómoda, uma candidatura à liderança nacional do PSD" RTP

"Recuso-me a ser mais uma facção neste quadro para o qual o PSD se deixou arrastar. A derrota dos socialistas é possível, mas não passa por isto", anunciou o líder madeirense, no Funchal.

Alberto João Jardim volta assim atrás nas suas intenções, depois de durante semanas ter dado sinais de que poderia avançar para a liderança, caso conseguisse reunir - nas suas palavras - tropas suficientes.

O presidente madeirense comunicou a decisão depois de ter "reflectido muito durante os últimos dias, ouvido companheiros de partido, a comissão política e a secretaria regional".

"Concordo com a opinião dominante de eu não me dever envolver no estado em que o PSD está mergulhado", disse o líder insular, para explicar que que "há passos que só se dão pela certa, e muito menos se dão quando o terreno está armadilhado, desgraçadamente a partir de fora do partido".

O presidente do Governo Regional da Madeira chegou mesmo a apelar à desistência de outras candidaturas para haver consenso à volta do seu nome. "Eu tentei ainda uma coesão e dinâmicas internas, capazes de nos conduzir a uma vitória eleitoral que provoque as mudanças imprescindíveis ao futuro dos portugueses", explicou esta tarde. Sem respostas e com os resultados negativos das sondagens que encomendou, João Jardim comunicou a decisão de não se candidatar.

No que respeita ao seu envolvimento na definição do próximo líder do partido, o dirigente madeirense manifestou o apoio, mas unicamente a título pessoal, à candidatura de Pedro Santana Lopes.

Sublinhando que a "Comissão Política Regional da Madeira do PSD institucionalmente não apoia qualquer candidato", o líder madeirense afirmou laconicamemte que, "pessoalmente, no quadro a que chegámos, prefiro Pedro Santana Lopes".

"Não por me identificar com várias posições suas, nomeadamente a de não resistência ao 'golpe de Estado constitucional' do socialista Sampaio, origem primeira da situação em que o país se encontra. Sobretudo prefiro Pedro Santana Lopes aos restantes, porque mal vamos quando se enjeita a ideologia e a coerência política", procurou explicar.

Jardim fala dos inimigos "de dentro" e "de fora"

Uma das razões apontadas para a não sobrevivência da ideia de candidatura prendeu-se, segundo Joao Jardim, com forças que se lhe opuseram, tanto fora como dentro do partido.

"Apesar dos públicos apoios amigos e solidários, imediatamente se interpuseram movimentações oriundas de sectores de dentro e de fora do partido, conotados com o situacionismo político-económico de um sistema que não serve aos portugueses", lamentou.

"Tratou-se de uma defesa desesperada desta situação que lesa o país. Mesmo sem eu ter formalizado a minha candidatura, parecia ser eu o 'inimigo principal' a abater", considerou o líder madeirense, para quem "o sistema político-constitucional, os seus `interesses` e agentes, obviamente perceberam o que os ameaçava".

Candidatos à liderança social-democrata percorrem Portugal à procura de apoios

Santana Lopes corre à liderança do PSD com a promessa de pôr o partido na ordem. Durante uma comunicação em Lisboa, o ex-primeiro-ministro disse ainda que pretende fazer uma renovação, considerando que os cargos não podem ser ocupados pelos mesmos de sempre, numa referência ao "barões" do partido.

Manuela Ferreira Leite procura apoio nos Açores. A antiga ministra das Finanças encara estas eleições internas como decisivas para o partido, já que se trata de encontrar - lembra - o adversário do primeiro-ministro José Sócrates nas próximas Legislativas.

Pedro Passos Coelho já garantiu aos restantes candidatos que a sua candidatura é para levar até ao fim. O antigo líder da "jota" social-democrata esteve com os militantes em Braga, onde recebeu o apoio do líder da concelhia PSD do Porto. Agora, Passos Coelho diz aguardar os debates para que seja feita a clarificação de ideias.
PUB