Alunos reabrem portas do ISEP ao terceiro dia de protestos contra propinas
Os alunos do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) decidiram quarta-feira, em assembleia-geral, reabrir quinta-feira as portas do estabelecimento, encerradas três dias em protesto contra o aumento de 21% do valor das propinas.
O presidente da Associação de Estudantes do ISEP, Ivo Santos, disse à Agência Lusa que os alunos decidiram reabrir as portas às 07:00 de quinta-feira, por considerarem que os objectivos do protesto foram alcançados e que o prolongamento do fecho iria prejudicar o instituto.
Ivo Santos referiu que a associação de estudantes vai apresentar quinta-feira no Tribunal Administrativo do Porto uma providência cautelar pedindo a suspensão da aplicação do aumento das propinas no ISEP, por considerar que foi decidida irregularmente.
"De acordo com a Lei de Financiamento do Ensino Superior, é o ISEP que deve fixar o valor da propina, mas foi o Instituto Politécnico do Porto que fixou", disse o presidente da associação de estudantes.
Ivo Santos referiu que a assembleia-geral contou com a presença cerca de 300 alunos, que aprovaram também uma moção de confiança na direcção da associação de estudantes, pela forma como tem conduzido este protesto.
Antes da assembleia-geral, "500 a 600 alunos do ISEP", segundo estimativa de Ivo Santos, concentraram-se em frente do Governo Civil do Porto, onde entregaram uma carta aberta com os motivos do protesto.
Segundo Ivo Santos, as propinas no ISEP subiram este ano lectivo de 660 para 800 euros (o máximo previsto na lei é 902 euros), o que, juntando aos 20 euros de taxa de inscrição, corresponde a um aumento de cerca de 21 por cento.
Para o dirigente associativo, este aumento reflecte "uma lei de financiamento errada, que não serve ninguém: nem instituições nem estudantes, nem administração central".
"Devido à subida abrupta das propinas, o instituto perdeu este ano 642 alunos e deverá continuar neste caminho se a situação não se alterar", disse Ivo Santos.