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Álvaro Cunhal - Líder histórico comunista morreu aos 91 anos

Álvaro Cunhal - Líder histórico comunista morreu aos 91 anos

O líder histórico do PCP, Álvaro Cunhal, secretário-geral do partido durante mais de 30 anos e figura incontornável da política portuguesa, morreu hoje aos 91 anos.

Agência LUSA /

O funeral realiza-se quarta-feira às 15:00 em Lisboa e o corpo estará em câmara ardente a partir de terça-feira ao final da tarde, em local a anunciar.

Nascido em Coimbra em 1913, Álvaro Barreirinhas Cunhal filiou-se aos 17 anos no PCP, partido liderou a partir de 1961 e durante mais de 30 anos.

A sua vida confunde-se com a do Partido Comunista Português, para o qual foi sempre uma referência, mesmo depois de ter cedido o lugar de secretário-geral, em Dezembro de 1992.

Foi detido pela PIDE em 1949 e esteve preso durante 11 anos, protagonizando, a 03 de Janeiro de 1960, uma fuga espectacular do Forte de Peniche, após o que se seguiu novo período de clandestinidade.

Cinco dias após o 25 de Abril de 1974, Cunhal regressou a Lisboa, vindo de Paris, para a 15 de Maio tomar posse como ministro sem pasta no I governo provisório.

Além de político, Álvaro Cunhal deixa também obra feita na literatura, com obras como ideólogo do marxismo-leninismo, mas também como romancista, tendo reconhecido em 1995 o seu pseudónimo de Manuel Tiago na ficção literária.

Nos últimos anos esteve sempre afastado da cena política devido à sua avançada idade e ao seu estado de saúde.

Confrontado com a notícia da morte do dirigente histórico do partido que lidera, o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, decidiu antecipar o seu regresso de uma viagem à China e ao Vietname, devendo chegar a Lisboa na terça-feira.

Em comunicado, o Secretariado do Comité Central do PCP lamenta a morte de Álvaro Cunhal "com profunda mágoa e emoção", sublinhando que com a sua morte "os trabalhadores e o povo português perdem um dos seus mais consequentes e abnegados lutadores".

O PCP destaca ainda o "papel ímpar" que Álvaro Cunhal desempenhou na história de Portugal no século XX, "na resistência antifascista, pela liberdade e a democracia", nas transformações revolucionárias de Abril e em sua defesa, por uma sociedade livre da exploração e da opressão, a sociedade socialista".

Em conferência de imprensa na sede do PCP, o dirigente comunista Francisco Lopes evocou o "exemplo de luta" de Álvaro Cunhal pelo ideal comunista.

"Quando dizem que são todos iguais, há homens que são diferentes e há projectos que são diferentes", afirmou, destacando "a contribuição positiva" dada pelo antigo secretário-geral do PCP.

Carlos Carvalhas, que sucedeu a Cunhal na liderança do PCP, em 1992, também evocou a memória do veterano lutador comunista.

"Os trabalhadores, o povo, a democracia e o país perderam um grande lutador, um grande homem de causas e convicções, que toda a vida lutou pelos seus ideais e pelo progresso e desenvolvimento do seu país", disse Carlos Carvalhas.

Mário Soares, fundador do PS e ex-presidente da República, lembrou hoje Álvaro Cunhal como um homem de "grande verticalidade, um militante abnegado do Partido Comunista e um grande resistente contra o fascismo que tem de ser admirado".

Soares, que protagonizou com Cunhal em 1975 um dos principais debates políticos, recordou a "grande influência" que o líder histórico comunista exerceu sobre si em 1941, quando o conheceu no colégio do seu pai, mas também as "grandes divergências" políticas após o 25 de Abril.

"Álvaro Cunhal marcou a vida contemporânea portuguesa de uma maneira indiscutível, concordando-se ou não com a sua acção", sustentou.

"Um revolucionário de corpo inteiro" é como o ex-dirigente comunista Carlos Brito lembra Álvaro Cunhal, uma "grande figura do século XX português, tão grande que se pode dizer que verdadeiramente não morreu".

Carlos Brito, que se afastou do PCP em 2002 depois do partido lhe ter imposto uma suspensão de 10 meses, disse que as divergências políticas que teve com Álvaro Cunhal não o impedem de ter tido sempre um "grande respeito e admiração" pela sua personalidade.

A antiga dirigente comunista Zita Seabra, expulsa do partido no final dos anos 80 e hoje deputada do PSD, recordou Álvaro Cunhal como um "homem muito corajoso" e como um "sedutor político", que por isso "arrastava multidões".

"Era um homem muito corajoso, de grande determinação e um sedutor político, que dedicou toda a vida a lutar pela sua ideologia", continuou Zita Seabra, que durante muitos anos foi considerada próxima do líder histórico do PCP.


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