Ambientalistas contestam "cinzentismo" da nova Avenida dos Aliadosno Porto
A organização ambientalista Campo Aberto criticou hoje a opção pelo "cinzentismo" na requalificação em curso na Avenida dos Aliados, no Porto, e a recusa em "colorir" a zona com canteiros com flores.
Em comunicado, a Campo Aberto lamenta que "se insista na mesma estética minimalista" que caracterizou as obras da Porto 2001, SA, quando estas causaram um "desagrado tão manifesto em vários sectores da cidade".
"O fracasso da Porto 2001 não trouxe ensinamentos a quem planeia o espaço público ou sobre eles decide", salienta a organização, lamentando que se tenha "petrificado intensamente" a zona da Cordoaria, Parada Leitão e Leões, numa opção por "grandes espaços monocromáticos cobertos com granito ou arrelvados".
Antes que as obras na Avenida dos Aliados terminem, o que está anunciado para Agosto, a Campo Aberto apela a que se repensem algumas das opções "mais gravosas", como o uso exagerado do granito, a ausência de árvores na Praça da Liberdade, a supressão da calçada portuguesa, a abolição dos canteiros floridos e o sacrifício de "duas esplêndidas magnólias" junto à Igreja dos Congregados.
A organização pede ainda que se repense a manutenção da praça central como "ilha rodeada de trânsito", a renovação da avenida com árvores que se revelaram "inadaptadas" ao local e o "bizarro capricho de rodar 180 graus a estátua equestre de D. Pedro, obrigando-o a dar as costas, 170 anos depois, ao inimigo [D. Miguel] que tão garbosamente enfrentou durante o histórico cerco do Porto".
A requalificação da Avenida dos Aliados está a ser executada pela Metro do Porto, SA, que é criticada também pela Campo Aberto por estar a construir no local uma estação de metropolitano "nunca cabalmente justificada", dado estar entre duas outras "muito próximas" (Trindade e S. Bento).
Os ambientalistas criticam ainda o excesso de liberdade que tem sido dado aos arquitectos para planearem requalificações no Porto, defendendo que estes trabalhos passem a ser atribuídos por concurso público em vez de por ajuste directo.