Ambientalistas pedem legislação específica para proteger carvalhais
Uma coligação de sete organizações de defesa do ambiente alertou hoje que Portugal continua sem um regime jurídico específico que proteja eficazmente os carvalhais autóctones e exigiu legislação específica.
No Dia Nacional da Conservação da Natureza, a coligação associa-se a iniciativas da Aliança pela Floresta Autóctone e ao movimento liderado pela Ordem dos Biólogos em defesa da criação de um regime jurídico específico para a proteção dos carvalhos autóctones e dos carvalhais de Portugal.
Em comunicado, os ambientalistas alertam que o enquadramento legal atual "é claramente insuficiente" para assegurar a conservação das espécies e dos ecossistemas que integram.
A coligação salienta que os carvalhais autóctones são verdadeiros "espécies-ecossistema", porque criam condições de sombra, humidade, alimento e abrigo para centenas ou milhares de espécies de plantas, animais, fungos e microrganismos.
E contribuem para a resposta às alterações climáticas, armazenando carbono, protegendo os solos, regulando a água, e protegendo da seca e dos incêndios.
Entre os habitats mais vulneráveis estão os carvalhais galaico-portugueses de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e de carvalho-negral (Quercus pyrenaica), como os da Mata da Albergaria no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
O carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis) é das espécies mais vulneráveis, entre outros carvalhos nativos em regressão, como o carvalho-negral e o carvalho-cerquinho (Quercus faginea).
A floresta dominada por carvalhos representa cerca de 2,5% da área florestal nacional.
Assinam o comunicado as associações FAPAS, Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade, GEOTA, Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente, LPN, Liga para a Proteção da Natureza, QUERCUS, Associação Nacional de Conservação da Natureza, SPEA, Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, WWF Portugal e Zero, Associação Sistema Terrestre Sustentável.