Amigos do pai de Cavaco Silva descrevem-no como "um homem rijo" que vivia para os filhos
Centenas de cidadãos anónimos e muitas figuras ligadas à vida política prestaram hoje, em Boliqueime, uma última homenagem a Teodoro Gonçalves Silva, pai do Presidente da República, que morreu domingo no Hospital de Faro, com 95 anos.
Tido como "um homem rijo apesar da idade", Teodoro Gonçalves Silva nasceu em Boliqueime a 31 de Agosto de 1902 e, apesar de residir em Quarteira, não se passavam muitos dias sem que desse um passeio à terra natal.
A última hospitalização, no Hospital de Faro ocorreu há cerca de uma semana, mas três dias antes Teodoro Silva regressou de uma clínica privada onde já estivera internado alguns dias com uma bronco-pneumonia.
"Quando saiu da clínica, ainda ficou aborrecido porque eu não o pude levar ao casino", relata Carlos Pina Palma, 42 anos, exaltando o carácter "forte" do amigo a quem costumava dar boleia.
O pai do actual Presidente da República vivia numa apartamento em Quarteira, mas "não passavam três ou dias" sem ir a Boliqueime, segundo o amigo.
Ir à horta que detinha na povoação "era o seu maior prazer" e "não há muitos anos conduzia ele mesmo o tractor", garante.
"Ainda este Verão, ele se levantava de manhã e ia à praia quase todos os dias. Dizia que ia ver as garotas", diz Carlos Pina Palma.
Frequentador assíduo do casino, "não era só pelo jogo que ele lá ia", assevera à Agência Lusa, mas "gostava de lá jantar e saía cedo, a meia-noite e meia era a sua hora de recolha".
"Comecei a ficar preocupado quando perdeu o apetite, dias depois de sair da clínica, e recusou beber um galão de manhã", explica por seu turno António Palma, 74 anos, que o "levava para todo o lado.
"Era um homem rijo, mas há uns tempos começou a dizer que não tinha forças nas pernas", recorda.
Enfatiza que o homem a quem amiúde dava boleia no seu carro "era muito corajoso" e "nunca falava da morte".
"Aos 18 anos, chegou a ir a monte para França e esteve lá dois anos, a trabalhar com pá e picareta", afirma, recordando depois os tempos em que Teodoro deteve uma bomba de combustível na zona.
Depois de alugada a bomba, chegou a ter armazéns de alfarroba e ainda agora era proprietário de uma mercearia na povoação que o viu nascer, conta António Palma.
"Os filhos eram a sua perdição, ele deu tudo o que tinha aos quatro filhos e ainda hoje em dia só se preocupava com eles", assevera.