Amigos e colegas na última despedida a Cáceres Monteiro

Amigos e colegas na última despedida a Cáceres Monteiro

Mais de uma centena de amigos e colegas partici param hoje na última homenagem a Carlos Cáceres Monteiro, fundador e ex-director da revista Visão, considerado por muitos como um dos melhores repórteres da his tória do jornalismo português.

Agência LUSA /

A missa de corpo presente decorreu hoje na Basílica da Estrela, em Lisb oa, seguindo o cortejo fúnebre para o cemitério dos Olivais, onde o corpo do jor nalista será cremado quinta-feira à tarde.

Cáceres Monteiro morreu terça-feira aos 57 anos, vítima de doença prolo ngada, depois de ter estado internado três semanas.

A classe jornalística esteve fortemente representada na cerimónia, nome adamente o presidente do sindicato dos jornalistas, Alfredo Maia, o director da revista Visão, Pedro Camacho, a nova sub-directora do Expresso, Cândida Pinto, e o director de programas da RTP, Nuno Santos.

"A classe fica a dever-lhe muito pela coragem e tenacidade com que enfr entou várias lutas. Era um repórter de corpo inteiro como muitos de nós gostaría mos de ser e exercia sobre todos um grande fascínio. Jamais haverá outro igual", afirmou Alfredo Maia.

Os colegas de profissão elogiaram, sobretudo, o talento de Cáceres Mont eiro para a reportagem e o seu contributo, enquanto dirigente sindical entre 197 7 e 1981, para importantes conquistas da classe como a definição do estatuto de jornalista e a lei da imprensa.

"No plano técnico-profissional penso que foi o maior repórter da minha geração. No plano deontológico foi um dirigente sindical importantíssimo e muito influente no período complicado do pós-25 de Abril, que conseguiu manter a unid ade na profissão", resumiu Adelino Gomes, grande-repórter do jornal Público.

A personalidade e o carácter foram, por seu lado, os traços mais destac ados pelos colegas da Visão, que Cáceres Monteiro dirigiu desde a fundação até a o Verão passado.

"Era um director de porta aberta, sempre disponível para todos e muito próximo da redacção. Sobretudo o que o jornalismo português perdeu foi um bom ho mem e um bom amigo", sublinhou Pedro Camacho, que substituiu Cáceres Monteiro na direcção da revista.

A classe política marcou igualmente presença na última despedida ao jor nalista e o Governo fez-se representar pelo ministro da Administração Interna, A ntónio Costa, amigo de Cáceres Monteiro há vários anos.

"Era um amigo de longa data. A sua morte impressionou-me muito e é uma grande perda para o país", referiu o responsável.

Marques Mendes, líder do PSD, João Cravinho, ex-ministro socialista das Obras Públicas, Ruben de Carvalho, vereador comunista da Câmara de Lisboa, e Te resa Caeiro, deputada do CDS-PP, participaram também nas cerimónias fúnebres.

Carlos Cáceres Monteiro iniciou a carreira jornalística aos 20 anos, oc upou cargos de chefia em jornais e revistas, ganhou prémios e editou várias obra s.

Ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas e ex-Director Geral para a C omunicação Social, no Governo de Mário Soares, Cáceres Monteiro foi subchefe de redacção de A Capital e editor de política do Diário de Notícias, director do Jo rnal Sete, co-fundador de O Jornal e fundador da Visão, e director editorial do grupo Edimpresa, ao qual pertence a Visão.

Foi ainda analista político regular na RTP, na SIC Notícias, na TSF e n a Antena1, e cobriu várias guerras, nomeadamente a do Golfo, do Iraque, e o conf lito israelo-árabe.


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