André Oliveira eleito centésimo presidente da Associação Académica
Coimbra, 29 Nov (Lusa) - O estudante de Economia André Oliveira foi hoje de madrugada eleito, à primeira volta, o centésimo presidente da direcção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), com mais de 60 por cento dos votos.
Em eleições marcadas por forte abstenção, André Oliveira, de 22 anos, natural de Coimbra, que encabeçava a lista A, obteve 2.993 votos, de um total de 4.845 votantes, num universo de cerca de 20 mil estudantes da academia.
A sufrágio apresentaram-se mais três listas.
Os resultados apurados na madrugada de hoje, após dois dias de votação (terça e quarta-feira), ditaram a vitória da lista A com 61,78 por cento dos votos, seguida das listas U com 8,09 por cento, F com 5,39 e R com 5,39 por cento.
Comparativamente às eleições de 2006 votaram menos 2.634 estudantes.
André Oliveira sucede a Paulo Fernandes, que após um ano de mandato não se recandidatou.
Registaram-se ainda 500 votos brancos e 107 nulos.
Para o Conselho Fiscal da AAC, constituído através do método de Hondt, foram eleitos os cincos elementos da lista A, que obteve 2667 votos.
Em declarações aos jornalistas, o novo líder mostrou-se satisfeito por ter sido eleito à primeira volta e garantiu que irá dar prioridade às questões do "emprego, acção social escolar, unidade da academia e da própria AAC".
Apesar de se assumir militante socialista, o centésimo presidente eleito da AAC afirmou que não terá "qualquer problema" em afrontar o Governo para defender os interesses da academia e dos estudantes, embora privilegie a via do diálogo.
Ao nível da acção social, André Oliveira adiantou que tem uma proposta para alterar o processo de atribuição de bolsas de estudo, referindo ter conhecimento de jovens que não estudam devido a dificuldades financeiras.
Considerando que o Governo tem sido autista nesta questão, o novo presidente da AAC revelou que a sua proposta passa por "alterar os intervalos do escalão de atribuição e defender uma bolsa contínua atribuída em função de uma proporcionalidade directa, de forma que haja uma atribuição mais justa".
"Numa entrevista que dei caracterizei o Governo como autista, que talvez seja fruto de uma maioria absoluta que neste momento existe e que não se está a traduzir em políticas socialistas", referiu.
O novo presidente da AAC afirmou ainda que a sua equipa vai se "preocupar muito" com as questões do emprego e do estímulo ao empreendedorismo.
"Ao nível do emprego queremos ter uma participação activa com a Reitoria, porque só a trabalhar em sintonia é que podemos traduzir os nossos objectivos em frutos", defendeu o futuro dirigente, que pretende ter as "empresas a recrutar à saída da Universidade".
"No empreendedorismo é muito importante pegarmos em casos de sucesso que neste momento existem em Coimbra e na região Centro, como a Critical Software e a Crioestaminal - Saúde e Tecnologia, para motivar estudantes neste campo", acrescentou.
Quanto às propinas, André Oliveira defende o ensino público gratuito e de qualidade e considera prioritária a redução do valor máximo em vigor na Universidade de Coimbra.
"Já que não conseguimos ter uma propina zero, se conseguíssemos reduzir o valor da propina seria uma vitória, pois certamente teríamos mais jovens no ensino superior e cada vez menos abandonavam o ensino por falta de condições económicas", salientou.