Animais e pessoas infectadas no Gerês, Arrábida e Guadiana

Animais e pessoas infectadas no Gerês, Arrábida e Guadiana

Três agentes transmitidos por animais e que provocam doenças nos humanos foram identificados em três parques naturais portugueses numa investigação que apurou ainda que alguns trabalhadores destes locais já estiveram em contacto com estes vírus e bactérias.

Agência LUSA /

A conclusão consta de uma "Avaliação geoestatística da prevalência de algumas zoonoses no território português" que foi hoje divulgada num seminário realizado no Instituto Nacional de Saúde Dr.

Ricardo Jorge (INSA).

O principal objectivo da investigação foi desenvolver uma cartografia estimada da prevalência de três zoonoses (doenças de animais que podem atingir os humanos) relacionadas com factores ambientais no território português: doença de Lyme, hantaviroses e coriomeningite linfocitária.

A doença de Lyme é causada por uma bactéria ("Borrelia burgdorferi") que é transmitida através da picada de uma carraça, enquanto as hantaviroses e a coriomeningite linfocítica são doenças infecciosas que são transmitidas no contacto com roedores ou as suas secreções.

Fátima Amaro, do Centro de Estudos de Vectores e Doenças Infecciosas (CEVDI) do INSA, foi a palestrante a quem coube apresentar os resultados já obtidos nesta investigação, que ainda não está totalmente concluída.

à margem do seminário, Fátima Amaro explicou aos jornalistas que foram investigados estes três agentes transmissores de zoonoses em três áreas protegidas de Portugal continental: Parque Nacional da Peneda-Gerês, Parque Natural da Arrábida e Parque Natural do Vale do Guadiana.

Nestes parques naturais foi encontrado um "índice de risco" destas zoonoses, uma vez que foram detectados animais roedores infectados, segundo Fátima Amaro.

De acordo com a investigadora, foram ainda identificados trabalhadores nestes parques naturais que são seropositivos a estes vírus e bactérias, o que significa que apresentaram anticorpos destes agentes patológicos no soro do sangue, por terem estado em contacto com estes vírus e bactérias transmitidos por roedores e carraças.

Perante estes resultados, a investigação concluiu que estes vírus e bactérias "existem nos roedores e na população humana" naquelas três áreas protegidas.

Segundo Fátima Amaro, "há cada vez mais uma probabilidade maior dos humanos estarem em contacto com estes animais", nomeadamente através de visitas de lazer a estas zonas naturais.

Para evitar o contágio, a investigadora recomenda que os visitantes de parques naturais evitem a exposição da pele, protegendo- se com roupa ou vestindo trajes brancos que permitam a visualização das carraças.

Estas doenças podem, em casos extremos e por falta de diagnóstico, conduzir à morte.

O projecto "Avaliação geoestatística da prevalência de algumas zoonoses no território português" durou três anos (2002-2005) e foi financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia, numa colaboração entre o CEVDI e o Instituto Superior Técnico (IST).

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