Antigos mineiros da Urgeiriça em vigília voltam a exigir indemnizações
Lisboa, 17 mai (Lusa) -- Cerca de 70 mineiros das antigas minas de urânio da Urgeiriça (Nelas) voltaram hoje a exigir indemnizações para as famílias dos que morreram por doenças profissionais, promovendo uma vigília em frente da residência oficial do primeiro-ministro.
Além de palavras de ordem a exigir indemnizações para as viúvas dos que morreram de cancro devido ao trabalho nas minas, os manifestantes entregaram no Palácio de São Bento uma moção com essa exigência, cumprindo ainda um minuto de silêncio em memória das vítimas mas também dos mortos no recente colapso de uma mina na Turquia.
António Minhoto, presidente da Associação dos ex-trabalhadores das minas de uranio (ATMU), disse à Agência Lusa que 170 trabalhadores já morreram e que há "outras vítimas a acontecer diariamente", por doenças oncológicas, sem que o Governo esteja disposto a "pagar esta dívida para com os trabalhadores e suas famílias".
Ao contrário, o PCP e o Bloco de Esquerda estiveram presentes para dizer aos mineiros que a luta é justa e que estarão sempre solidários com a causa, como estiveram no passado.
Disse-o a eurodeputada Inês Zuber, lembrando "os vários projetos de resolução apresentados pelo PCP na Assembleia da República, sempre chumbados" ou as iniciativas ao nível do Parlamento Europeu, e disse-o Marisa Matias, cabeça-de-lista do Bloco de Esquerda nas eleições europeias, para quem "o Estado tem falhado sistematicamente" em relação aos mineiros, sendo óbvio que a "justiça tem de ser feita".
Na resposta, o representante dos mineiros disse que as eleições da próxima semana vão também servir para "a família mineira" mostrar que vai "votar em grande em força para mudar", contra o PS e o PSD, que não têm estado a favor dos mineiros, disse.
"Vamos votar contra o PSD e o CDS/PP e não desistimos enquanto não nos pagarem a dívida", disse, depois de palavras de ordem como "Urânio matou a quem lá trabalhou" ou "É preciso, é urgente, justiça para esta gente".
Há cerca de 14 anos que os trabalhadores exigem uma compensação para as famílias dos que morreram a trabalhar nas minas da Urgeiriça e que por isso foram vítimas de doenças oncológicas.
As minas (até 2001 ainda com 44 trabalhadores) fecharam definitivamente em 2004, depois de mais de seis décadas de exploração, encontrando-se ainda na altura, no local, cerca de 200 toneladas de urânio, as mesmas que ainda hoje lá permanecem, segundo António Minhoto.
O responsável lembrou que o Parlamento aprovou no ano passado uma resolução aconselhando a realização de exames e a contabilização das famílias que deviam receber indemnização, o que não foi feito, e disse que a luta vai continuar até que a situação se resolva.
O Governo aceitou o acompanhamento na saúde dos antigos trabalhadores e familiares, tendo sido feitos só no ano passado 480 exames médicos e 800 consultas, e também foram aprovadas reformas antecipadas, só não aprovou o direito às indemnizações, lamentou António Minhoto.
Sem avançar com números concretos o responsável quer para já resolvida a questão de princípio, a seu ver básica: "porque não havia condições de trabalho, porque as pessoas foram vítimas do trabalho que produziam para uma empresa pública".