António Cluny critica que se encoste Tribunal Constitucional à parede

António Cluny critica que se encoste Tribunal Constitucional à parede

O presidente dos Magistrados Europeus para a Democracia e as Liberdades (MEDEL), António Cluny, afirma que ter opiniões sobre a constitucionalidade das leis não significa pressionar o Tribunal Constitucional, mas critica quem encosta a instituição à parede.

Sandra Henriques /

Foto: Hugo Correia/Reuters

Em entrevista ao jornalista da Antena1 Nuno Rodrigues, António Cluny distingue duas situações no que diz respeito às declarações públicas sobre as decisões do Tribunal Constitucional.

“Não acho que seja pressão ter opiniões, exprimir opiniões jurídicas sobre se uma lei é constitucional ou inconstitucional, e cada um tem a sua opinião e defende-a como puder”, aponta.

“Outra coisa é encostar uma instituição que tem por obrigação constitucional dizer se as leis são ou não constitucionais dizer assim: ‘Vocês decidam como quiserem, agora se decidirem de acordo com a lei e com a Constituição então o mundo vai desabar’. Isto parece-me não razoável, porque é dizer que todo o regime democrático perdeu toda a sua efetividade, é dizer que não pode haver alternativas democráticas a um determinado sentido de medidas que se quer fazer implementar”, frisa.

António Cluny foi reeleito, por unanimidade, no passado fim de semana presidente da MEDEL, a única associação internacional de magistrados que agrupa magistrados judiciais e magistrados do Ministério Público. O mandato é de dois anos e é o último, de acordo com os estatutos da entidade europeia.

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