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Debate quinzenal com o primeiro-ministro

Ao juntar-se a países como Espanha e Irlanda, Portugal passa a ser um país extremista, diz Oren Rosenblat

Ao juntar-se a países como Espanha e Irlanda, Portugal passa a ser um país extremista, diz Oren Rosenblat

O Embaixador Israelita em Portugal diz que se o governo de Luís Montenegro se juntar a países como Espanha e Irlanda, que defendem a suspensão do acordo de comércio da União Europeia com Israel, "isso significa que Portugal também faz parte dos países extremistas da Europa".

Frederico Moreno /
Entrevistado no Programa Consulta Pública, Oren Rosenblat falou ainda do mais recente caso com uma flotilha interceptada a caminho de Gaza e as acusações de maus tratos e de tortura para com os ativistas que seguiam a bordo. O Embaixador disse que a polícia atuou de forma normal como qualquer outra num qualquer outro país.

Oren Rosenblat admitiu não ter gostado da atitude do ministro Itamar Ben-Gvir, mas questionado se o ministro devia ou não ser demitido na sequência do vídeo divulgado, respondeu que esse é um assunto interno do governo israelita, mas lembrou que, sendo um governo de coligação, "se o Primeiro-Ministro vai demitir o ministro Itamar Ben-Gvir significa que o governo vai cair".

Também em entrevista no programa Consulta Pública, o antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva afirmou que o acordo de comércio da União Europeia com Israel não está a ser respeitado pelo governo de Benjamin Netanyahu e que, por isso, "a consequência devia ser pelo menos a sua suspensão".
Na semana passada, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro defendeu a suspensão parcial deste acordo na sequência da polémica em torno do tratamento dado aos ativistas da flotilha humanitária intercetada pelo exército de Israel e que contava com dois médicos portugueses Gonçalo Dias e Maria Beatriz Bartilotti.

Outros ativistas recordaram no programa desta semana as experiências que tiveram. Miguel Duarte, ativista da Humans Before Borders, membro de tripulações de resgaste marítimo no Mediterrâneo, participou na Global Sumud Flotilla e disse que "qualquer indignação por parte dos estados europeus relativamente ao tratamento desta flotilha é muitíssimo bem-vinda, sem dúvida, mas vem tarde e a más horas".

Já Nuno Almeida Gomes, ativista dos Direitos Humanos e participante na Flotilha Humanitária a Gaza em abril de 2026 recordou a forma como foi tratado na altura. "Eles classificam os palestinos como baratas, como animais, como selvagens e, portanto, pessoas como eu que vão envolvidas em flotilhas ou qualquer tipo de ajuda humanitária são classificados da mesma forma e são violentamente atacados não só de forma psicológica como de forma física"

Testemunhos recuperados no trabalho da jornalista Cláudia Aguiar Rodrigues.
Ainda no programa Consulta Pública, Teresa Almeida Cravo, comentadora de Assuntos Internacionais da Antena 1 levantou uma questão "se nós temos acesso a estas coisas que estão a acontecer a cidadãos ocidentais, o que é que se passa dentro de portas em relação aos palestinianos? Essa pergunta tem que ser colocada".

Francisco Cudell, especialista em Assuntos de Segurança e Geopolítica, disse que "estamos neste momento a ouvir alegações de agressão sexual não verificadas por investigação independente, que devem ser investigadas. Devem ser investigadas!" Mas Pedro Braga de Carvalho, especialista em Direito Internacional da Escola do Porto da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa lembrou que "a justiça tem um tempo que não é o tempo da intervenção política, do debate político." E quanto a expectativas, "não é expectável que nos próximos anos tenhamos uma resposta da justiça nestas questões. Agora isso não significa que ela em abstrato não possa ser possível", disse.

Convidado também, Francisco Sena Santos, jornalista e autor da rubrica Um Dia no Mundo na Antena 1, lembrou a situação em Gaza. "É um facto que está a chegar combustível (a Gaza), alimentos, medicamentos, mas a população de Gaza continua há 2 anos sem energia elétrica, sem água potável. É trágico".

O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno e tem produção da jornalista Rita Soares.
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