Aprovado tratamento para combater disfunções da marcha em doentes com esclerose múltipla

Aprovado tratamento para combater disfunções da marcha em doentes com esclerose múltipla

O medicamento já existia há algum tempo mas os pedidos de autorização especial eram difíceis de obter. O fármaco era prescrito pelo médico neurologista de cada doente, mas não era comparticipado pelo Serviço Nacional de Saúde.

Sandra Salvado, RTP /
Yorgos Karahalis, Reuters

O Infarmed autorizou agora a utilização de Fampyra, comprimidos de libertação prolongada, o primeiro tratamento destinado a combater as disfunções da marcha em doentes com esclerose múltipla que demonstrou ser eficaz em pessoas com todos os tipos de esclerose múltipla.

Contactada pela RTP Online, Manuela Duarte Neves, da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, diz que "esta autorização por parte do Infarmed é muito relevante porque o medicamento é muito eficaz. Um doente que está na eminência de deixar de andar, tem uma melhoria extraordinária".

Há mais de dois anos que a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla aguardava a comparticipação deste medicamento. "Foi lamentável o tempo que estes doentes tiveram que esperar", refere a mesma responsável.

Em comunicado à imprensa, o Infarmed diz que de acordo com um estudo publicado em 2011, cerca de 93 por cento dos doentes com esclerose múltipla reportam problemas de mobilidade nos primeiros 10 anos do diagnóstico. Atualmente verifica-se um aumento do absentismo laboral, e consequentemente diminuição dos rendimentos, nos doentes que apresentam problemas da marcha, sendo que estes problemas são também responsáveis por uma diminuição da qualidade de vida dos doentes e cuidadores.
Esclerose múltipla afeta 8.300 pessoas em Portugal
Segundo o Infarmed, em ensaios clínicos, os doentes que responderam a Fampyra apresentaram uma melhoria significativa na velocidade da marcha superior a 25 por cento e ficou demonstrado que o fármaco traz melhorias significativas na qualidade de vida dos doentes.

A esclerose múltipla afeta cerca de 8.300 pessoas em Portugal. É uma doença crónica, muitas vezes incapacitante, que ataca o sistema nervoso central. Os sintomas podem ser ligeiros ou graves, variando desde formigueiros nos membros inferiores até paralisia ou perda de visão.

Para Ana Martins da Silva, especialista do Serviço de Neurologia do Centro Hospitalar do Porto – Hospital de Santo António, “Fampyra representa um avanço importante no tratamento de um dos sintomas mais frequentes e incapacitantes para os doentes com esclerose múltipla. É um fármaco que melhora a marcha e a qualidade de vida destes doentes, independentemente do curso da doença ou da sua duração".

"Trata-se de um fármaco com algumas características, como sejam a facilidade de administração (2 comprimidos por dia), rápida e simples avaliação da resposta ao tratamento (em 15 dias na maioria dos doentes). Por fim, realço que a combinação de fármacos adequados, como Fampyra, e programas de fisioterapia individualizados e regulares, são indispensáveis para a melhoria da marcha e consequentemente da incapacidade dos doentes com esclerose múltipla", adiantou a especialista.
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