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Aquacultura pode ajudar a preservar os habitats selvagens

Aquacultura pode ajudar a preservar os habitats selvagens

O tema ainda está em debate mas a possibilidade de a aquacultura funcionar como alternativa à captura de determinadas espécies no meio selvagem é considerada viável por investigadores na área das ciências do mar.

Agência LUSA /

"Tendo em conta que 87 por cento dos recursos europeus na área da pesca estão ameaçados e que as pessoas cada vez mais preferem o peixe à carne, a aqua cultura pode funcionar como uma alternativa à captura de certas espécies nos seu s habitats naturais", considerou Maria Teresa Dinis, do Centro de Ciências do Ma r do Algarve.

Por seu lado, Jorge Dias, investigador na mesma entidade, salvaguardou que "a restauração de stocks marinhos com espécies criadas em aquacultura ainda está a ser analisada, embora existam outros efeitos benéficos a assinalar".

"A pescaria do bacalhau, por exemplo, tem sido acusada de excessiva e d epredatória para a espécie no meio selvagem e aí a produção em aquacultura - que já se faz na Noruega, Dinamarca e Irlanda - pode contribuir para uma menor capt ura da espécie no seu meio natural", sublinhou.

Para Jorge Dias, embora "os resultados [o reequilíbrio das populações n o meio selvagem] não se notem em dois ou três anos mas com o passar do tempo", a produção em cativeiro "alivia a captura nos ecossistemas selvagens e ajuda à re cuperação das espécies".

"Trata-se da vertente ecológica da aquacultura", definiu Florbela Soare s, investigadora do Projecto Reprosol, do Programa Mare, apontando a situação do mero, "cuja reprodução em cativeiro está a ser estudada com vista ao repovoamen to da espécie no meio selvagem".

O receio de consumir espécies criadas em viveiro pode, todavia, funcion ar como um obstáculo a esta pretensão.

"Actualmente a produção das espécies em cativeiro não tem riscos para o consumidor e, se tivermos em conta a poluição de certos ecossistemas marinhos, até pode ser preferível, pois na aquacultura as condições ambientais são muito c ontroladas", assegurou Maria Leonor Nunes, engenheira do Instituto de Investigaç ão das Pescas e do Mar.

No entanto, "alguns consumidores continuam agarrados a uma ideia romântica do peixe capturado no mar", lamentou a responsável do Ipimar.

Apesar disso, os investimentos no sector multiplicam-se, como indicou Teresa Dinis, revelando que "já se procede inclusivamente à criação de espécies em tanques de terra, o que, de certo modo, pode ser equiparado à agricultura biológica".


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