País
Arquivado o caso de idoso que morreu durante a greve do INEM em 2024
Foi arquivado o inquérito-crime à morte de um idoso em Bragança durante a greve do INEM por não haver indícios de que o óbito tenha sido causado por atrasos no socorro.
O Ministério do Público de Bragança confirma que entre a primeira chamada para o 112 e o acionamento dos meios de socorro do INEM passaram 48 minutos
No entanto, não foram "encontrados indícios de uma relação entre o atraso no acionamento dos meios e o falecimento do homem de 86 anos", em outubro de 2024, depois de um enfarte do miocárdio.
O mesmo despacho acrescenta que o despacho seria idêntico "se o caso tivesse ocorrido num hospital" com todos os meios de socorro disponíveis de imediato.
No despacho de arquivamento do inquérito ao qual a agência Lusa teve acesso, lê-se que "não é certo" que "o desfecho fatal verificado seja direta e exclusivamente devido ao atraso no atendimento daquelas chamadas".
O Ministério Público de Bragança confirma que as duas chamadas realizadas para o 112 por amigos de um homem de 84 anos que, em 2 de novembro de 2024, se engasgou com um pedaço de carne ao almoçar num restaurante em Mogadouro, distrito de Bragança, não foram atendidas no Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU).
Na altura, o idoso começou por ser transportado ao centro de saúde de Mogadouro, já inconsciente, no carro de um amigo, que, a meio do caminho, se cruzou com uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Mogadouro, que acabaram por realizar o transporte até à unidade de saúde.
Entre a primeira chamada e o momento em que o homem foi entregue ao cuidado da corporação decorreram, segundo o despacho, 11 minutos, tendo a vítima dado entrada na urgência "15 ou 18 minutos após a primeira tentativa de contacto com o CODU".
"Pese embora não seja de desvalorizar a citada ausência de resposta, cremos que dificilmente seria possível encurtar de modo significativo (i.e., de modo a evitar o desfecho fatal) o tempo de atendimento à vítima, considerando as regras da experiência e os tempos habituais que medeiam entre a saída dos meios de socorro, o início das manobras de assistência e o transporte até ao estabelecimento de saúde mais próximo", defende a procuradora.
Entre a primeira chamada e o momento em que o homem foi entregue ao cuidado da corporação decorreram, segundo o despacho, 11 minutos, tendo a vítima dado entrada na urgência "15 ou 18 minutos após a primeira tentativa de contacto com o CODU".
"Pese embora não seja de desvalorizar a citada ausência de resposta, cremos que dificilmente seria possível encurtar de modo significativo (i.e., de modo a evitar o desfecho fatal) o tempo de atendimento à vítima, considerando as regras da experiência e os tempos habituais que medeiam entre a saída dos meios de socorro, o início das manobras de assistência e o transporte até ao estabelecimento de saúde mais próximo", defende a procuradora.