As personagens

As personagens

O processo da Casa Pia envolve mais de 800 pessoas, entre testemunhas de defesa e acusação, arguidos, advogados e juízes.

Agência LUSA /

Entre eles, quer pelo seu alegado envolvimento nos casos de pedofilia quer pela intervenção em todo o processo, destacam-se os seguintes:

ADELINO GRANJA - Antigo aluno da Casa Pia, advogado, representa o aluno que denunciou o caso à Polícia Judiciária, o "Joel". Formou com o também ex-casapiano Pedro Namora, durante os dois últimos anos, a dupla mediática sempre pronta na defesa dos alunos. Escreveu o livro "A Revolta dos Gansos", sobre a sua vida na Casa Pia.

ADELINO SALVADO - Ex-director nacional da Polícia Judiciária, foi durante o seu mandado que decorreu toda a investigação. Demitiu- se em Agosto passado depois de terem sido divulgadas conversas que teve com um jornalista em que tecia comentários sobre o eventual envolvimento no caso do antigo secretário-geral do PS Ferro Rodrigues, numa situação passível de constituir violação do segredo de justiça.

ANA PERES - Juíza que preside ao colectivo que vai conduzir o julgamento. De 44 anos, terá a seu lado Ester Santos (33 anos) e Lopes Barata (48 anos). Integra actualmente o colectivo que está a julgar o caso Euroárea, que tem como principal arguido o antigo presidente benfiquista João Vale e Azevedo.

ANA TEIXEIRA E SILVA - Juíza de instrução do processo. Foi ela que modificou as medidas de coacção aplicadas aos arguidos pelo juiz Rui Teixeira, tornando-as mais leves, e decidiu não levar a julgamento o deputado socialista Paulo Pedroso e o humorista Herman José, bem como despronunciar o arqueólogo subaquático Francisco Alves de 34 crimes de lenocínio.

ANTÓNIO PINTO PEREIRA - Advogado das vítimas. Tornou-se conhecido com o processo Aquaparque, quando representou os pais de uma das crianças mortas no recinto, Frederico Duarte. Defende a tripulação da companhia Air Luxor, no caso de tráfico de droga da Venezuela para Portugal.

ANTÓNIO SERRA LOPES - Forma com Ricardo Sá Fernandes a dupla que vai defender Carlos Cruz. Com larga experiência na advocacia, têm-se pautado pela discrição e alguma critica mordaz ao longo do processo.

CARLOZ CRUZ - Apresentador de televisão, responde por seis crimes de abuso sexual. Esteve preso preventivamente cerca de 15 meses. Figura mediática, foi jornalista, o apresentador mais bem pago e dono de uma produtora que dominou o mercado televisivo nacional.

Foi também a "cara" da moeda única e um dos principais responsáveis para que o Europeu de Futebol deste ano se realizasse em Portugal.

Com 62 anos, natural de Torres Novas, foi director de informação e de programas da RTP e era muitas vezes apelidado de "senhor televisão".

CARLOS SILVINO DA SILVA ("Bibi") - É o arguido principal do processo, por quem tudo começou. Foi contra ele que a mãe de um aluno apresentou queixa e vai responder por 639 crimes de natureza sexual, resultantes da junção dos dois processos de pedofilia com alunos da Casa Pia em que é arguido. É o único que não nega as acusações de pedofilia, preferindo vitimizar-se e lembrar que também ele foi violado quando criança, na instituição. Está detido preventivamente desde 25 de Novembro de 2002. Tem 48 anos.

CATALINA PESTANA - Actual provedora da Casa Pia. Com 57 anos, licenciada em Filosofia, dirigiu o Plano para a Eliminação do Trabalho Infantil e foi directora do Colégio de Santa Catarina, um dos vários da Casa Pia.

FRANCISCO ALVES - Arqueólogo subaquático, 62 anos, começou por ser acusado de 34 crimes de lenocínio e um de posse ilegal de arma.

Com termo de identidade e residência como medida de coacção, o arqueólogo negou todas as acusações de lenocínio e, por decisão da juíza Ana Teixeira, vai sentar-se no banco dos réus apenas por posse ilegal de arma.

GERTRUDES NUNES - Ex-emigrante em França, 62 anos, é proprietária de uma casa em Elvas onde alegadamente ocorreram encontros entre os arguidos e as crianças da Casa Pia, levadas pelo funcionário "Bibi". Esteve 11 meses em prisão domiciliária. Até surgir o caso era ama da Segurança Social e tinha a seu cargo três crianças quando foi destituída.

HERMAN JOSÉ - Humorista, actor e apresentador de televisão, chegou a ser acusado de um crime de acto homossexual com adolescente, mas a juíza de instrução Ana Teixeira e Silva decidiu, com base na prova recolhida, não o levar a julgamento.

HUGO MARÇAL - Advogado de formação e nascido em 1960, vai a julgamento por 22 crimes de lenocínio e 14 de abuso sexual. Foi o primeiro advogado de Carlos Silvino, o "Bibi", mas acabou em prisão preventiva, onde esteve cinco meses. Casado e com um filho.

JOÄO AIBÉU - Representa o Ministério Público no julgamento.

JOÄO FERREIRA DINIZ - O "médico do Ferrari", como foi apelidado por crianças da Casa Pia, é acusado de 18 crimes de abuso sexual.

Dono de uma clínica em Lisboa, 50 anos, esteve detido 10 meses e depois posto em prisão domiciliária, por razões de saúde. Era na altura médico no Centro de Saúde da Graça mas foi suspenso pelo Ministério da Saúde. Em tempos trabalhou no Colégio de Santa Catarina, da Casa Pia (1988), afastado alegadamente por suspeitas de envolvimento sexual com alunos.

JOÄO GUERRA - Procurador do Ministério Público que dirigiu as investigações do processo Casa Pia, tendo na sua equipa as procuradoras Paula Soares e Cristina Faleiro. Foi apoiado nas investigações por um grupo de inspectores da PJ constituído por Rosa Mota e Dias André, entre outros.

JOÄO NABAIS - Antigo advogado de Hugo Marçal e de Ferreira Diniz.

JOAQUIM MOREIRA - Advogado do embaixador de Jorge Ritto.

Substituiu Rodrigo Santiago.

JOEL - Nome fictício para um aluno da Casa Pia cuja mãe, ao apresentar queixa pela sua alegada violação, desencadeou todo o processo.

JORGE RITTO - Diplomata de carreira, é acusado de sete crimes de abuso sexual e dois de lenocínio, e chegou a estar preso preventivamente. Admitiu o relacionamento homossexual com jovens mas negou que fossem menores. Mal o seu nome apareceu associado ao processo desmentiu à Lusa o envolvimento em qualquer rede de pedofilia. Natural de Lisboa, 68 anos, Ritto é licenciado em Ciências Históricas e Filosóficas. Em 1982 foram encontradas na sua casa de Cascais crianças da Casa Pia mas Ritto alegou que nem sequer estava em Portugal.

JOSÉ MARIA MARTINS - Advogado de Carlos Silvino ("Bibi").

Substituiu o advogado Dória Vilar.

MANUEL ABRANTES - Antigo provedor da Casa Pia, 50 anos, esteve preso preventivamente durante pouco mais de um ano e responde por 51 crimes, desde abuso sexual de crianças a lenocínio. Natural de Lisboa, foi também casapiano, tornando-se depois funcionário da instituição. É licenciado em gestão de empresas. Trabalhadores da Casa Pia acusaram-no de dar cobertura ao funcionário "Bibi".

MANUEL GONÇALVES SILVA - Advogado de Gertrudes Nunes.

MARIA JOÄO COSTA - Advogada de João Ferreira Diniz. Substituiu o advogado João Nabais.

PAULO PEDROSO - Antigo ministro socialista, é uma das figuras mais mediáticas do caso. Esteve em prisão preventiva durante quatro meses e meio, por suspeita de 23 crimes de abuso sexual de menores, mas não foi pronunciado pela juíza Ana Teixeira e Silva.

PAULO SÁ E CUNHA - Advogado de Manuel Abrantes, antigo provedor da Casa Pia.

PEDRO NAMORA - Antigo aluno da instituição, constituiu com Adelino Granja a dupla que mais denunciou a existência de casos de abuso sexual na Casa Pia.

PEDRO STRECHT - Pedopsiquiatra, acompanha desde o início do escândalo as testemunhas que terão sido abusadas sexualmente, coordenando a Comissão de Acompanhamento das vítimas da Casa Pia.

RICARDO SÁ FERNANDES - É com Serra Lopes advogado de Carlos Cruz. É autor de livros e comentador televisivo. Conhecido por intervir em processos mediáticos, como o caso Camarate.

RUI TEIXEIRA - Juiz que dirigiu o inquérito e se tornou numa das figuras mais mediáticas ao mandar prender, entre outros, Carlos Cruz e Paulo Pedroso. Está desligado do processo desde Janeiro e é juiz em Torres Vedras.

SÓNIA HENRIQUES CRISTOVÄO - Advogada de Hugo Marçal. É de Évora e substituiu o advogado João Nabais.

SOUTO MOURA - Procurador Geral da República, acabou por ser também "marcado" pelo caso, devido a algumas declarações polémicas que fez. Foi alvo de pedidos de demissão na sequência da divulgação de gravações de conversas telefónicas entre a sua assessora de imprensa e um jornalista, mas o primeiro-ministro e o Presidente da República mantiveram-lhe a confiança.

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