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Associação contesta plano de abate de árvores em Aveiro

Associação contesta plano de abate de árvores em Aveiro

Aveiro, 11 nov (Lusa) -- A Associação de Defesa do Património da Região de Aveiro (Aderav) tomou hoje posição pública "contra o abate e substituição" de árvores de grande porte na cidade de Aveiro, nomeadamente os choupos da avenida 25 de Abril.

Lusa /

A posição da Aderav surge na sequência do anúncio feito pelo presidente da Câmara, Ribau Esteves, de que o executivo vai levar avante um programa de substituição de árvores no espaço urbano, que deverá abranger cerca de duas centenas de exemplares.

"Estamos a retirar árvores que ameaçam cair e a qualificar espaços que estavam desqualificados e serão plantadas nesses locais novas árvores", declarou Ribau Esteves, explicando que o Município está a abrir concursos para a licitação do material lenhoso, com a obrigação do respetivo abate.

Quanto à avenida 25 de Abril, o autarca afirmou na última reunião pública do executivo que a medida não será para já, devido à falta de recursos para a requalificação, mas considerou que "a estrutura arbórea chegou ao fim da sua vida" e "tem incompatibilidades com a iluminação pública e com áreas privadas".

Face às declarações do presidente da Câmara, a Aderav questiona "se o estudo fitossanitário que sustenta tal medida, dita efetivamente o fim de vida destas árvores" e defende que a poda conduzida por especialistas poderia ser suficiente para resolver o problema.

"Se a gestão é somente a manutenção de árvores de grande porte, existem soluções disponíveis e reversíveis. O abate é puramente irreversível. Aquelas árvores poderão viver mais anos do que os moradores da avenida 25 de Abril, que cresceram com elas e respiram muito do oxigénio que elas libertam, sendo poupados a muito do dióxido de carbono e outro tipo de partículas que a vida da própria cidade produz", salienta.

Para a Aderav, o facto do executivo municipal pretender colocar árvores novas em substituição, não repõe a situação: "os serviços que são prestados por uma árvore antiga são incomparavelmente superiores ao que nos vai prestar uma árvore jovem. Substituir uma árvore antiga por uma nova é um ato culturalmente irreversível e levará várias décadas até que a árvore nova possa contribuir para o meio ambiente da mesma forma que a sua antecessora".

Declarando não apoiar nem compreender tais medidas, a Aderav solicita a sua suspensão, salvaguardando os casos de patologias e segurança de pessoas e bens, e propõe a realização de um debate público, "apelando à mobilização da sociedade aveirense para que dê a sua opinião perante os atuais planos" de abate.

"A Aderav nunca foi nem será contra qualquer corte de árvore que esteja com alguma patologia grave ou que coloque em perigo pessoas ou bens. Cortes sanitários são desejáveis e necessários. Mas, pelo que nos foi dado a conhecer não é esta situação presente. Existe uma vontade política para renovar a malha arbórea de alguns espaços significativos da cidade, abatendo mesmo exemplares perfeitamente sãos", conclui.

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