Associação de cooperação portuguesa constrói maternidade em Cacheu
A construção de uma maternidade em Cacheu e a recuperação do centro de saúde local são as prioridades do "plano de actividades" até 2011 da Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau, informou hoje o presidente do organismo.
Segundo José Carvalhido da Ponte, a associação irá ainda empenhar-se na recolha de material médico e medicamentoso e equipamento hospitalar para enviar para a cidade guineense de Cacheu, de acordo com a lista de carências elaborada pelos respectivos serviços de saúde.
O despiste oftalmológico e a oferta de óculos aos técnicos de saúde, "que já começam a ter alguns problemas em trabalhar por falta de visão", são outras das apostas da associação, que promete ainda apoiar os técnicos de saúde de Cacheu nas campanhas de vacinação e no combate à subnutrição.
Idealizada há precisamente 17 anos, em Viana do Castelo, cidade geminada com Cacheu, a Associação de Cooperação com a Guiné- Bissau surgiu em Maio de 2000, então ainda com o nome de "Plataforma", adoptando a actual designação em Maio de 2005.
Em Viana do Castelo, a organização integra a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental, Amigos do Mar, Associação de Técnicos de Turismo, Câmara Municipal, Escola Secundária de Monserrate e Escola Superior de Educação.
Da parte da Guiné-Bissau, os "cooperantes" são o Conselho Nacional da Juventude, Associação dos Filhos e Amigos do Sector de Cacheu e a Associação de Jovens para o Desenvolvimento de Cacheu.
"A nossa aposta imediata recai sobre o sector da saúde, porque esse é o problema mais dramático de Cacheu", disse Carvalhido da Ponte, sublinhando que as empreitadas de restauro do centro de saúde e de construção de uma maternidade "são mesmo para avançar", tendo já a associação assegurada a parceria do Rotary Clube.
Até 2011 a associação tem delineado um programa de acção genericamente intitulado "Viana-Cacheu: construir um abraço", que privilegiará também o sector da Educação, estando prevista a recuperação de três escolas, a recolha de material didáctico, a formação de professores e o incentivo da aprendizagem da língua portuguesa, designadamente com a criação de um prémio literário.
A associação está ainda empenhada em dinamizar aquilo a que chama turismo pedagógico-cultural, assegurando o alojamento em Cacheu dos interessados, desde que estes, como contrapartida, ofereçam aos guineenses serviços didácticos, nomeadamente acções de formação em diversas áreas.
A "cereja em cima do bolo" do plano de acção da associação para os próximos anos será a criação do Centro de Cooperação de Cacheu, que integrará um pequeno espaço de acolhimento ao cooperante, com capacidade para cinco a seis pessoas, e a Casa dos Povos, um espaço multiusos onde as duas cidades geminadas poderão mostrar a sua história, etnografia e artesanato.
Este Centro de Cooperação ficará contíguo ao Centro de Recursos, também criado pela associação e onde funciona uma biblioteca, com cerca de mil livros, já frequentada por 2.000 utilizadores, o que representa um terço da população de Cacheu.
Nos seus primeiros cinco anos de existência, a associação descarregou em Cacheu 10 toneladas de bens de primeira necessidade, incluindo material didáctico, roupa e medicamentos, tendo também oferecido um parque infantil e recuperado um jardim infantil.