EM DIRETO
Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito no Médio Oriente

Associação defende transladação de resíduos de urânio da Urgeiriça para pedreira

Associação defende transladação de resíduos de urânio da Urgeiriça para pedreira

A associação Ambiente em Zonas Uraníferas (AZU) defendeu quinta-feira à noite que os resíduos resultantes da exploração de urânio depositados na Urgeiriça, Canas de Senhorim, devem ser transladados para uma pedreira próxima.

Agência LUSA /

Segundo a AZU, o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do projecto de recuperação da mina da Urgeiriça, cuja discussão pública terminou no mês passado, prevê que resíduos de duas escombreiras (Santa Bárbara e zona industrial) fossem colocados na barragem velha, onde existe já uma grande quantidade de rejeitados.

"Tecnicamente (a barragem velha) pode não aguentar. Não é solução sobrecarregar o local, entendemos que os rejeitados devem ser transladados para outro local", afirmou o presidente da AZU, António Minhoto, aos jornalistas, no final de um colóquio realizado em Nelas sobre a recuperação ambiental das minas de urânio.

O mesmo responsável lembrou que em tempos a barragem velha cedeu por duas vezes e que, por isso, a solução proposta no EIA iria agravar as condições de instabilidade.

Por outro lado, a barragem velha situa-se a menos de 300 metros de 24 habitações, de uma nova urbanização e do Hotel da Urgeiriça.

A AZU propõe, então, que a solução definitiva passe por levar os resíduos para a exploração de granito da Cominalta, actualmente pertencente à Cimpor, "onde cabem todos os materiais", e que seria depois requalificada de acordo com as normas da Comunidade Europeia.

"O Estado deve intervir, porque quando aquele local acabar (a exploração de granito) não há materiais para lá colocar", frisou.

Desta forma, acabariam também os problemas da população, que, segundo António Minhoto, se queixa "dos rebentamentos constantes dos explosivos" e do impacto ambiental.

O dirigente ambientalista está convencido que a população prefere ter como vizinho um local onde os resíduos de exploração de urânio estão devidamente depositados - com impermeabilização, reposição de terra e vegetação - do que uma pedreira.

Esta solução teria, no entanto, que salvaguardar os empregos dos trabalhadores da pedreira e também contar com o acordo das Juntas de Freguesia de Canas de Senhorim, Lapa do Lobo e Câmara de Nelas, sublinhou.

Caso a solução da transladação para a pedreira da Cominalta não for viável, a AZU entende que os resíduos devem ser levados para a barragem nova, a Sul da velha, "mais longe das populações".

A AZU lamenta ainda que o EIA apenas preveja a requalificação ambiental de parte da zona de exploração mineira e exclua a área habitacional, a área industrial (que inclui a Oficina de Tratamento de Minérios) e o problema de contaminação das águas subterrâneas.

A exploração de urânio em Portugal esteve a cargo da Empresa Nacional de Urânio, que tinha 62 minas na Região Centro, em 18 concelhos dos distritos de Viseu, Guarda, Coimbra e Castelo Branco.


PUB