Associação Portuguesa de Defecientes queixa-se de crise financeira
A Associação Portuguesa de Deficientes (APD) vai aproveitar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, que se assinala sexta-feira, para se queixar da grave crise financeira que atravessa e que diz poder pôr em causa a continuidade da organização.
Em comunicado, aquela associação aponta a falta de reconhecimento, em Portugal, do contributo das ONG (organizações não- governamentais) na construção de uma sociedade de igualdade de direitos e oportunidades.
Segundo a Associação Portuguesa de Deficientes (APD), há uma falta de reconhecimento patente quer "ao nível do processo de consulta", quer "ao nível do financiamento".
Por isso, a APD, que tem tido "um papel fundamental na defesa da dignidade das pessoas com deficiência, enfrenta a mais grave crise financeira de toda a sua existência", afirma, acrescentando que "em Dezembro a APD não estará apta a fazer face às despesas correntes".
Assim, a Associação quer aproveitar o dia internacional do deficiente para fazer um apelo aos poderes central, regional e local para "urgentemente pôr termo à situação de estrangulamento financeiro das organizações de pessoas com deficiência e em particular da APD, de forma a assegurar que esta possa continuar a desenvolver a sua acção".
O dia 03 de Dezembro será ainda assinalado por outras entidades que aproveitam a efeméride para apresentar diversas iniciativas, como o Metropolitano de Lisboa e a Associação de Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO), que assinam um protocolo para cedência de uma loja na estação de metro de Sete Rios para apoiar os associados e divulgar as actividades naquela organização.
Ainda no âmbito do tema "Acessibilidade e Mobilidade da Pessoa com Deficiência", os presidentes do Metropolitano e da ACAPO acompanham o secretário de Estado dos Transportes e Comunicações, Jorge Martins Borrego, para apresentarem um novo sistema que permite aos cegos e amblíopes comprarem bilhetes do metro nas máquinas automáticas de venda de títulos.
O Dia do Deficiente ficará ainda marcado pelo início de funções do novo Provedor para o Cliente com Deficiência, cargo criado pela CP na terça-feira passada.
Para este cargo foi nomeado o tenente-coronel António Neves, presidente da federação portuguesa de desporto para deficientes, principal responsável pela preparação e desempenho dos atletas paralímpicos.
O Provedor para o Cliente com Deficiência tem como principais objectivos ajudar a CP a identificar as áreas de intervenção necessárias para melhorar as acessibilidades, ordenar as iniciativas a desenvolver e prestar apoio à empresa nas relações com os clientes portadores de deficiência e com as restantes entidades do sector.
Em Guimarães, a Comissão Organizadora das Comemorações Concelhias do Ano Europeu das Pessoas com Deficiência 2003 apresenta sexta-feira "diversos produtos realizados no âmbito daquelas comemorações".
De acordo com Fernando Trigo, um dos responsáveis pela iniciativa, vai ser apresentado o "Guia de Recursos do Concelho de Guimarães, uma publicação na qual constam todos os serviços de apoio a pessoas com deficiência e todos os seus direitos em termos legais".
Será igualmente apresentado o "Levantamento de Barreiras Arquitectónicas", outra publicação que identifica todas as barreiras arquitectónicas detectadas no concelho, com o contributo de deficientes.
O responsável acrescentou ainda que da publicação consta também alguma informação útil para os construtores civis, como por exemplo o nível de declive que uma rampa deve ter.
A terminar, terá lugar um fórum onde serão apresentadas propostas para uma melhor qualidade de vida e onde serão debatidos os problemas dos deficientes nas diversas áreas, desde o emprego à educação, passando pela saúde.
Em Beja haverá também um encontro, promovido pelo Governo Civil, aberto a todos os interessados e envolvendo o núcleo empresarial da região e a associação empresarial do baixo Alentejo.
Além de todas estas iniciativas de apoio aos deficientes e contra a discriminação, também a ciência deu mais um passo em frente no sentido de facilitar a vida a estas pessoas, nomeadamente aos invisuais. Numa universidade japonesa, os investigadores inventaram um aparelho munido de uma pequena câmara que pode ajudar os cegos a atravessar as ruas ao reconhecer as faixas das passagens de peões e as luzes dos semáforos.
Trata-se de um "olho electrónico" que um dia poderá ser adaptado a um uso mais vasto, ajudando os cegos e outros deficientes visuais a caminhar nas cidades sem terem que usar bengalas ou cães.