Associação quer que banda gástrica seja vista como cirurgia hospitalar
A Associação de Doentes Obesos e Ex- obesos de Portugal (ADEXO) alertou hoje para a necessidade da colocação da banda gástrica ser reconhecida como uma cirurgia hospitalar para que seja paga pelo serviço nacional de saúde.
Em conferência de imprensa o responsável da ADEXO, Carlos Oliveira explicou que há nove anos que se pratica esta cirurgia em Portugal sem que esteja reconhecida como tal.
Segundo Carlos Oliveira, ao longo destes anos foram já feitas em Portugal cerca de quatro mil cirurgias para a colocação da banda gástrica, uma intervenção para combater a obesidade que consiste na aplicação de uma cinta em volta da parte alta do estômago de modo a criar-se uma pequena bolsa gástrica e assim regular a passagem dos alimentos.
Em todas estas intervenções realizadas, adiantou, as administrações hospitalares recorreram a outro tipo de denominações para que o acto médico fosse pago, uma vez que a designação "Banda Gástrica" não está contratualizada pelo Serviço Nacional de Saúde.
Assim, muitas das cirurgias efectuadas surgem como intervenções cirúrgicas para o tratamento de hérnias do iato ou de úlceras no estômago.
Este tipo de intervenção cirúrgica para o tratamento da obesidade mórbida tem uma grande lista de espera, sendo talvez das maiores, contudo, para a estatística, não existe.
Por exemplo, acrescentou Carlos Oliveira, no Hospital de Santo António (Porto) existem 1.000 pessoas em lista de espera e no Pulido Valente (Lisboa) são cerca de 700 as que estão a aguardar a instalação da banda gástrica.
A ADEXO alerta para a necessidade de o governo legislar sobre esta matéria no âmbito do Plano Nacional de Combate à Obesidade e que aposte no tratamento (por via cirúrgica) dos cerca de 400 mil portugueses com obesidade mórbida, evitando assim custos acrescidos em doenças associadas à obesidade como é o caso da diabetes ou dos problemas cardiovasculares.
Segundo Carlos Oliveira, a medicação para estas doenças crónicas - comparticipada a 100 por cento -, acaba por custar muito mais ao Estado do que a intervenção cirúrgica aconselhada aos "super obesos".
"Coloquei a banda gástrica há cerca de quatro anos e a intervenção cirúrgica custou cerca de 1.700 contos (8.500 euros) e desde essa altura que não tomo um único medicamento para a diabetes", explicou o dirigente da Associação.
Além de ser uma doença crónica, a obesidade, na opinião do responsável da ADEXO, é igualmente um problema económico grave para o país pelo que o tratamento urgente destes doentes deve ser encarado também numa perspectiva económica.