Associações empresariais do Algarve avançam com fusão para reforçar representação do turismo

Associações empresariais do Algarve avançam com fusão para reforçar representação do turismo

A fusão das duas associações empresariais de hotelaria do Algarve deverá ficar concluída até ao final do ano, disse hoje à Lusa o presidente da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

Lusa / Adicionar como fonte informativa

O memorando de entendimento que formaliza o processo de fusão da AHETA e da Associação dos Industriais Hoteleiros e Similares do Algarve (AHISA) e a criação da nova Associação de Empresas Turísticas do Algarve (AETA) foi hoje assinado em Albufeira, no distrito de Faro.

Em declarações à Lusa após a assinatura do documento, o presidente da AHETA, Hélder Martins, destacou que a aproximação entre as duas associações "surge após vários anos de tentativas falhadas de entendimento".

"Estiveram durante anos de costas voltadas, houve muitas tentativas entre elementos das duas direções, mas nunca se conseguiu", afirmou, considerando que o avanço agora registado resultou da vontade das atuais lideranças de concretizar "uma união há muito discutida".

Segundo Hélder Martins, as duas associações partilham objetivos comuns e representam setores complementares da atividade turística.

"É preciso haver vontade, é preciso ter a noção de que ambas as associações têm um propósito muito comum", argumentou.

O dirigente explicou que a AHISA, criada em 1971, com cerca de 900 associados, integra os setores da hotelaria e da restauração, enquanto a AHETA, com 300 associados, representa a hotelaria, a animação turística e a atividade imobiliária ligada ao turismo, defendendo que a junção "permitirá criar uma estrutura mais abrangente e representativa".

"Desta vez encontraram-se duas pessoas com vontade e bastou uma conversa numa cerimónia oficial. Começámos a trabalhar a partir daí, os nossos advogados começaram a construir este documento e chegamos ao dia de hoje sem pressa", explicou.

A futura entidade, Associação de Empresas Turísticas do Algarve (AETA), adota uma designação que "reflete um âmbito mais alargado do que a representação exclusiva da hotelaria", abrindo a adesão a diferentes empresas ligadas ao turismo, destacou o responsável.

"AETA foi um nome de acordo com as duas entidades, porque era mais abrangente. No fundo, é uma associação de empresas turísticas e não uma associação só de hotéis ou similares", notou Hélder Martins.

O presidente da AHETA sustentou que a nova estrutura permitirá reforçar a capacidade de representação do setor junto das entidades públicas e privadas, numa região onde o turismo assume um papel central na economia.

"Várias empresas turísticas vão poder aderir à associação e vamos poder ter mais abrangência", sublinhou.

O dirigente considerou ainda que a fusão contraria uma tendência histórica de fragmentação associativa na região.

"Não é tradição no Algarve. A tradição no Algarve é separar, é desagregar. Espero que isto constitua um elemento para que as pessoas percebam que juntos temos mais força", declarou.

Apesar da assinatura do memorando, o responsável reconheceu que o processo ainda dependerá de vários procedimentos administrativos e legais, incluindo o registo da nova entidade, mas mostrou-se confiante de que a fusão estará concretizada até ao final de 2026.

Já o presidente da AIHSA, Daniel do Adro, considerou que a fusão "é fundamental para representar os desígnios comuns dos empresários turísticos e enfrentar os desafios futuros do setor".

"É essencial e fundamental que a região fale a uma só voz, com capacidade para defender o setor e os associados", concluiu o empresário.

A cerimónia de assinatura do memorando de entendimento foi presidida pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, tendo participado também os presidentes do Turismo de Portugal, Carlos Abade, e da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros.

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