Atrasos nas obras da linha do Metro revoltam comerciantes afectados

Atrasos nas obras da linha do Metro revoltam comerciantes afectados

Lisboa, 06 Abr (Lusa) - Os comerciantes da zona do Saldanha, em Lisboa, acusam as obras de prolongamento do metropolitano de estarem a provocar "grandes prejúizos", com uma quebra acentuada de clientes, e mostram-se "revoltados" com a falta de apoio e de informação.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

A abertura do novo caminho subterrâneo que vai prolongar a Linha Vermelha da Alameda até à estação de São Sebastião está a "desesperar" alguns comerciantes e moradores da zona do Saldanha, que se queixam não só da perda de clientes, mas também do barulho e do pó.

Um dos empregados do "Café Roma", na avenida Duque de Ávila, explicou à Lusa que "houve uma perda de clientes e aos fins-de-semana" o estabelecimento está "praticamente sem ninguém".

"O meu patrão disse que queria levar o caso para tribunal a exigir uma indemnização para compensar a quebra de clientes, que nos tem dado bastantes prejuízos", adiantou.

Um pouco mais à frente, uma das empregadas de balcão da loja de roupa "Caractére" revelou que o pó tem sido "o maior problema".

"Temos de estar sempre de porta fechada para o pó não ir para as roupas, o que pode levar as clientes a pensar que estamos fechados", lamentou a empregada, realçando que "se as obras não terminarem rapidamente" o negócio poderá não ter salvação.

Na avenida da República, o gerente do café "Cequeira" explicou que já perdeu "mais de metade dos clientes" desde que as obras começaram.

Júlio Góis confessou que vive todos os dias numa "constante ansiedade" por ter de cumprir os prazos de pagamento no final do mês e, em muitas das vezes, não ter dinheiro.

"Já tive de recorrer a alguns empréstimos para conseguir pagar as contas", admitiu o proprietário de um dos cafés mais antigos da zona que confessou nunca teve tantas dificuldades como agora.

Mesmo ao lado, a ourivesaria "Pessoa e Melo" é uma das mais lesadas uma vez que, aliado à perda de clientes, algumas peças da loja já foram "estragadas", graças ao pó que "se entranha nas jóias e que é difícil de tirar", explicou Judite Ferreira.

"Este sábado fomos obrigado a fechar a loja para limpar as peças", acrescentou o proprietário, Manuel Ferreira.

Judite Ferreira explicou que é "inadmissível" que as obras se tenham atrasado tanto tempo sem que tenham sido dadas justificações.

"Pago as minhas contas ao final do mês, cumpro com todas as minhas obrigações e nem se dignam, sequer, a dar-nos explicações", reivindicou a proprietária.

"Enviei duas cartas ao Metro de Lisboa e solicitei, pelo menos, cinco reuniões. Quando consegui reunir-me com um responsável, apenas me foi dito que daqui a uns anos ia ser compensada", revelou.

"Toda esta situação rouba-me anos de vida", desabafou a responsável da ourivesaria, que aguarda "desesperadamente" o fim das obras.

Também alguns moradores daquela zona explicaram que "é impossível abrir as janelas de casa", devido ao pó, que "até dificulta a respiração".

A Agência Lusa tentou obter uma reacção a estas queixas junto do Metropolitano de Lisboa (ML) mas tal não foi possível em tempo útil.

Quanto às razões da prorrogação do prazo da obra, fonte do ML informou que estas deveram-se a "constrangimentos e alterações daí decorrentes".

O prolongamento da Linha Vermelha contempla cerca de 2200 metros de galeria em via dupla e a construção das estações do Saldanha II e S.Sebastião II.

Esta será a primeira transversal a ser executada na rede do Metro de Lisboa e visa facilitar a distribuição de passageiros por todas as linhas, com um encurtamento dos percursos, permitindo uma redução de tempo de viagens.

As obras arrancaram em Setembro de 2004 e estavam previstas terminar em 2007, mas um atraso de dois anos levou os responsáveis a adiar o prazo de conclusão para este ano.

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