Autarca de Boticas preocupado com incêndios que podem hipotecar meios

por Lusa
Lusa (Arquivo)

O presidente da Câmara de Boticas mostrou-se hoje preocupado com os incêndios que têm ocorrido no seu concelho e apelou "à contenção" para "não hipotecar" os meios, numa altura em que estão concentrados no combate à covid-19.

"Ontem (domingo) tivemos um incêndio com alguma dimensão à noite e hoje trazemos 27 homens também em pinhal na zona de Cerdedo. Pelos vistos, também não há suspensão para os incendiários", afirmou Fernando Queiroga à agência Lusa.

No domingo, o alerta para o fogo foi dado pelas 23:00 para a localidade de Vilarinho da Mó e hoje, pelas 09:00, as chamas deflagraram numa zona de pinhal de Cerdedo.

No terreno estão, segundo o autarca, 27 operacionais entre bombeiros de Boticas, Fontes e Salto e sapadores das equipas da câmara, da Cooperativa Agrícola de Boticas e da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (CIMAT).

O autarca suspeita de "origem criminosa" nestes incêndios e realçou o frio que se faz sentir hoje neste concelho montanhoso do distrito de Vila Real.

"Continua a debandada destes malfeitores, desta gente que só quer destruir o património", lamentou.

Para além de dispersar os meios, que nesta fase estão concentrados no combate ao novo coronavírus, o autarca elencou problemas que o combate aos incêndios acarreta, como o "transporte nos carros, mais gente junta, partilha de material" e apontou que "nestas aflições, nem se pensa nos contágios".

"Isto é que me preocupa", frisou.

O autarca pediu para que, pelo menos nesta altura, haja uma "maior contenção para não hipotecar os meios".

"Estamos para socorrer quem tem sintomas da covid-19 e não temos tempo para andar na floresta a combater estes incêndios. Quem quiser fazer queimadas que nos diga, se não for agora será depois, para a renovação de pastagens, não tenho dúvidas de que alguns é para isso, mas que evitem", afirmou.

Também em Vila Real se registaram incêndios neste fim de semana. Os bombeiros da Cruz Branca foram acionados pelas 20:00 de sábado para um incêndio rural em Vila Cova.

Para o local foram mobilizados 22 operacionais e cinco veículos e a principal dificuldade foi a falta de acesso dos veículos, sendo o combate só possível com equipas apeadas.

"Isso é uma coisa absolutamente extraordinária, os nossos bombeiros estão focados, estão a fazer o que podem e não podem no combate à covid-19, ajudando as nossas populações, e depois há uns energúmenos que, a meio da noite, lançam fogo e colocam alguns dos nossos territórios a arder", afirmou à Lusa o presidente da Câmara de Vila Real, Rui Santos.

A Câmara de Boticas decidiu proibir a realização de queimas e queimadas no concelho, uma medida que estará em vigor enquanto se mantiver o estado de emergência nacional.

Fernando Queiroga frisou "que é fundamental que todos os meios estejam empenhados no combate à proliferação do coronavírus e disponíveis para o auxílio à população".

Neste município do Alto Tâmega, continua, segundo frisou o autarca, a ser feito o trabalho de limpeza dos terrenos nas envolventes das habitações e vias de comunicação.

"Nós estamos a fazer a nossa parte, temos as nossas equipas de sapadores, reduzidas, naturalmente, e temos a brigada da CIM reduzida e em pontos diferentes, porque são três equipas", salientou.

Fernando Queiroga disse esperar que os particulares também estejam a prosseguir com este trabalho que, referiu, até pode ser feito de forma individual nesta altura em que se pede o isolamento social.

E isto porque, afirmou, "os incêndios vão aparecer logo a seguir, e isso não é adiado para outubro".

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, registaram-se desde o início do surto 119 mortes e 5.962 casos de infeções confirmados, segundo dados da Direção-Geral da Saúde divulgados no domingo.

Portugal encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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