Autarca de Setúbal quer reforço de meios da PSP após violência na Bela Vista

Autarca de Setúbal quer reforço de meios da PSP após violência na Bela Vista

Um reforço de meios humanos, logísticos e financeiros para o efetivo local da Polícia de Segurança Pública é o que a presidente da Câmara Municipal de Setúbal espera obter do Ministério da Administração Interna, na sequência dos distúrbios do fim de semana no bairro da Bela Vista. A autarca Maria das Dores Meira, que se reúne esta segunda-feira com o ministro Miguel Macedo, pede também rapidez nas investigações aos acontecimentos que estiveram na origem da violência: a morte de um jovem durante uma perseguição policial.

RTP /
Os distúrbios no bairro da Bela Vista eclodiram horas depois da morte de um jovem no decurso de uma perseguição policial Carlos Santos, Lusa

“Mais meios”. É este o pedido que a autarca comunista de Setúbal leva ao ministro da Administração Interna, depois da vaga de desacatos que atravessou durante a noite de sábado o bairro da Bela Vista. Meios humanos, logísticos e financeiros que, segundo Maria das Dores Meira, são pedidos “há muitos anos”.
À Antena 1, a presidente da Câmara de Setúbal sustentou que a PSP “deveria ter feito um perímetro de segurança” no decurso dos distúrbios.

“A polícia não teve condições para, através de um perímetro de segurança, permitir que a comunicação social pudesse fazer o seu trabalho, como nós desejamos que o faça, mas sem que estas coisas possam ser potenciadas”, sublinhou.


“Mais meios humanos, mais condições logísticas para aqueles profissionais de segurança, para as forças de segurança poderem trabalhar. Mais financiamento para poderem fazer uma série de coisas que hoje não conseguem fazer, nomeadamente arranjarem as instalações onde trabalham, fazerem a conservação das suas viaturas, comprarem toners [tinteiros para impressoras], tantas coisas que eu sei que lhes fazem falta”, enumerou a presidente da autarquia sadina, em declarações à Antena 1.

Também ouvida pela agência Lusa, Maria das Dores Meira defendeu, por outro lado, que a prevenção de incidentes como aqueles que se verificaram no fim de semana passa pelo denominado policiamento de proximidade: “Há cerca de três anos, tivemos um único polícia de proximidade a trabalhar no bairro da Bela Vista com excelentes resultados. Esse polícia trabalhou apenas durante um ano, mas isso traduziu-se numa acalmia do bairro”.

“Não havia tanta hostilidade contra a polícia, porque aquele elemento da PSP, que tinha formação específica para aquelas funções, batia à porta dos idosos para saber se estava tudo bem com eles e falava com os jovens nos cafés. Para os jovens era um polícia com nome”, explicou a autarca.
“Disparos de intimidação”

Na origem dos desacatos e atos de vandalismo esteve a morte de um jovem na zona das Manteigadas. Terá sido perseguido pela polícia depois de desrespeitar um sinal vermelho e o motociclo em que seguia despistou-se. Conhecido o desfecho da perseguição, grupos de jovens do bairro da Bela Vista vandalizaram veículos, entre os quais um autocarro, arremessaram pedras contra o dispositivo policial e incendiaram caixotes do lixo.



O Comando Distrital da PSP admitiu no sábado, em comunicado, que “foram efetuados dois disparos de intimidação” com “arma shotgun” na perseguição ao jovem, mas “com munição não letal”. Na mesma nota, citada pela Lusa, alegava-se que o indivíduo “desrespeitou a sinalização semafórica e a subsequente ordem de paragem dos elementos policiais”.

“Os meios de socorro à vítima foram de imediato acionados pelos elementos policiais no local, mas não evitaram o desfecho fatal”, indicou ainda a PSP, para acrescentar que “foi dado conhecimento ao Ministério Público e à Inspeção-Geral do Ministério da Administração Interna”, aos quais caberá agora “proceder às subsequentes averiguações”.

A presidente da Câmara de Setúbal já veio exigir rapidez nas investigações às circunstâncias em que ocorreu a morte do jovem.

Na noite de domingo, segundo testemunhou a reportagem da Lusa, equipas de intervenção rápida da PSP ainda procediam à identificação de grupos de jovens da Bela Vista suspeitos de envolvimento em distúrbios.
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