Autoeuropa em greve de 24 horas

Autoeuropa em greve de 24 horas

Pela primeira vez em mais de 25 anos de história, a empresa Autoeuropa cumpre um dia de greve. A paralisação terminará só ao fim do dia desta quarta-feira, tendo sido convocada para vincar a oposição aos novos horários de três turnos e ao trabalho aos sábados durante dois anos. As alterações foram motivadas pelo fabrico do novo modelo da Volkswagen na fábrica de Palmela.

RTP /

Os trabalhadores da Autoeuropa decidiram na segunda-feira manter a paralisação, num plenário que reuniu cerca de três mil trabalhadores. O grande ponto de divergência entre trabalhadores e a administração é o trabalho obrigatório ao sábado.

Para assegurar a produção do novo modelo T-Roc em Palmela, a administração decidiu-se pela obrigatoriedade de trabalho aos sábados.
Sindicato fala em forte adesão
“A greve começa com muita adesão por parte dos trabalhadores do turno da noite. É expectável que durante o dia de amanhã (quarta-feira) ocorra a mesma situação”, afirmou o sindicalista José Carlos Silva. Para trabalhar no turno da noite estavam escalados 50 trabalhadores.

Segundo o dirigente sindical do SITE – SUL, um dos sindicatos que representa os trabalhadores da fábrica de Palmela, “os trabalhadores da noite aderiram de forma bastante significativa e praticamente, quase ninguém se apresentou ao serviço”.

Quando questionado com o facto de os autocarros que transportavam os trabalhadores do turno da noite ter entrado por outro portão, José Carlos Silva afirmou que os “autocarros praticamente vinham vazios. Um trabalhador ou dois, não sabemos se são trabalhadores da empresa, ou se são de empresas fornecedoras “.

O pré-aviso de greve era apenas para os trabalhadores da Autoeuropa e não das empresas fornecedoras, esclareceu.
Trabalho ao sábado em causa
"Cada trabalhador só teria direito a gozar dois dias de folga consecutivas de três em três semanas, quando, a juntar ao dia de folga fixa, domingo, a folga rotativa fosse ao sábado ou à segunda-feira”, explica o coordenador do Sitesul - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.

Para compensar os trabalhadores pelas alterações de horário, a administração tinha proposto um adicional de 175 euros por mês e mais um dia de férias, para além das regalias previstas na lei para o trabalho por turnos. Estes pontos tinham mesmo sido acordados entre a administração da Autoeuropa e a Comissão de Trabalhadores (CT), mas os trabalhadores acabaram por rejeitar este mesmo acordo, motivando a demissão da CT.

O coordenador da Federação Intersindical da Indústria garante à RTP que a o problema não era uma “questão de dinheiro”. “O que está em cima da mesa é o facto deste horário de trabalho que a empresa pretende impor mexer com a vida pessoal, familiar e desorganizar toda a vida das pessoas e prejudicar a sua saúde”, assegurou Rogério Silva.

A administração da Autoeuropa considera que o trabalho ao sábado é necessário para garantir a produção prevista do novo veículo T-Roc, atribuído este ano pela Volkswagen à fábrica de Palmela.

Em comunicação enviada no passado mês de julho aos funcionários da Autoeuropa, o responsável pelos Recursos Humanos e Produção da Volkswagen, Jürgen Haase, lembrou que a empresa tinha investido muito dinheiro para produzir o novo veículo T-Roc na fábrica de Palmela e para a necessidade de três turnos e trabalho aos sábados para assegurar os níveis de produção previstos.

Por cá, a administração da Autoeuropa admite que o conflito laboral possa motivar a deslocalização de parte da produção do T-Roc para outro país. No entanto, o presidente Miguel Sanches garantiu que “toda a equipa da Autoeuropa irá fazer todo o possível para evitar esse cenário e manter toda a produção do carro em Portugal”.

Os trabalhadores não temem uma eventual deslocalização e falam numa tentativa de “chantagem e coação” por parte da administração.
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