Bairros da Ameixoeira e Galinheiras serão alvo de intervenção especial
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) vai elaborar um programa para a zona da Calçada de Carriche, Amendoeiras e Galinheiras, destinado a conciliar todas as intervenções previstas, segundo uma proposta aprovada por unanimidade quarta-feira à noite.
A proposta, subscrita pela vereadora do Urbanismo, Gabriela Seara, prevê a elaboração, no espaço de um ano, do Programa de Acção Territorial (PAT) para a designada coroa norte de Lisboa, delimitada pela Avenida Padre Cruz, Eixo Norte/Sul e os municípios de Loures e Odivelas, numa área com 190 hectares.
O presidente da autarquia, Carmona Rodrigues, destacou o carácter "inédito" da proposta.
"É uma área em relação à qual a Câmara Municipal irá tomar uma posição junto do Governo para que ali sejam feitos alguns investimentos, tendo em conta a especificidade e importância desta zona em termos urbanísticos e sociais", sublinhou.
Depois de concluído o PAT, a autarquia pretende apresentar uma candidatura à administração central, solicitando uma intervenção privilegiada nesta zona problemática, depois de o Governo ter aprovado esse tipo de actuação para algumas zonas do país "com características não muito diferentes" da área em causa, acrescentou Carmona Rodrigues.
Segundo a directora municipal de Planeamento Estratégico, Teresa Craveiro, o programa de acção "vai atar aquela área, não se substituindo aos projectos do Plano Director Municipal, mas fazendo uma calendarização e monitorização" dos projectos a realizar pela autarquia e outras entidades.
O desenvolvimento do programa será orientado pelo projecto europeu LUDA, destinado a grandes áreas urbanas carentes, que tem estado a realizar um estudo nesta zona e que detectou problemas como "fraca estrutura urbana, falta de integração social e espacial, a deterioração do património, dificuldades de mobilidade e falta de espaços públicos".
"No âmbito do projecto LUDA foi diagnosticada para esta área da cidade a urgência de uma intervenção integrada, usando abordagens e metodologias específicas, dada a sua dimensão e carácter estratégico dentro da cidade e a presença de múltiplas privações e processos de transformação desarticulados", sustenta a proposta de Gabriela Seara.
Outros aspectos apontados são "os baixos níveis de qualidade de vida, a existência de áreas urbana de génese ilegal (AUGI) e o facto de ser uma área periférica confinante com outros municípios".
O PAT deverá ter uma vigência de 12 anos.