Baixo Mondego em sobressalto e norte do país sob alerta vermelho

Baixo Mondego em sobressalto e norte do país sob alerta vermelho

As próximas horas "serão cruciais" no baixo Mondego, após a rotura de um dique da margem esquerda, referiu o CODIS de Coimbra. Já o norte do país está sob alerta vermelho até amanhã ao fim da tarde, devido à passagem da tempestade Fabien.

RTP /
Povoações ao longo do rio Mondengo tiveram de deixar as suas casas devido à subida dos caudais provocada pela tempestade Elsa Lusa

Às últimas horas de sábado, o vento forte já começava a fazer-se sentir no norte do país, assim como grande agitalção marítima.

A tempestade Fabien está a atravessar Portugal desde o fim da tarde de dia 21, com Porto, Viana do Castelo, Aveiro, Coimbra e Braga a enfrentar grande agitação marítima.

Vila Real preparava-se para rajadas de vento de cerca de 140 quilómetros/hora.
Danos em Vila Real
Ao início da noite de sábado, o segundo comandante operacional distrital de Vila Real, Manuel Borges Machado, fez um balanço das primeiras horas da passagem da depressão Fabien pelo distrito trasmontano.

"Todo o distrito está a ser fustigado por fortes ventos que têm provocado muitos derrubes de árvores", referiu o responsável à agência Lusa.

Manuel Borges Machado indicou a ocorrência de 274 quedas de árvores, muitas delas para estradas, que ficam temporariamente cortadas até à sua remoção, ou para cima de fios elétricos e postes, levando a cortes na eletricidade temporários.

Foram registados à volta de 20 ocorrências relacionadas com dano ou queda de redes de fornecimento elétrico assim como dezenas de inundações.

Na cidade de Vila Real, a Câmara Municipal aconselhou a população para que evite circular no exterior e que se permaneça em casa, em segurança.
"Muita prudência"
Já junto à costa, as autoridades pedem especialmente às populações que evitem deslocar-se junto à orla marítima, uma vez que são esperadas vagas entre os seis e os sete metros.

Nas próximas horas, o IPMA espera apesar de tudo uma diminuição da precipitação, o que deverá baixar o alerta nas bacias dos rios Douro, Mondego e Tejo.

"Apesar de termos a maré cheia às 23h30, prevemos que o rio Douro não transborde nas zonas baixas do Porto e de Gaia", referiu o capitão Cruz Martins, comandante do Porto do Douro.

Relativamente a Peso da Régua, a situação "melhorou francamente", acrescentou.

Noutro incidente, um jipe caiu ao rio Ferreira, em Valongo. Os quatro ocupantes salvaram-se, tendo sido hospitalizados apenas por apresentarem sintomas de hipotermia.
Alerta máximo para o vale do Mondego
Ao longo do dia de sábado, a situação mais preocupante viveu-se no vale do Mondego, com a autarquia de Montemor-o-Velho a declarar o "alerta máximo" de risco de inundações, após a rotura ao longo de cem metros de um dique em Formoselha.  

Em conferência de imprensa, o Comandante Distrital de Operações de Socorro de Coimbra frisou que até cerca das 20:00 de sábado não se registaram feridos.

Carlos Luís Tavares atribuiu esta situação às medidas de prevenção e das evacuações preventivas realizadas ao longo do dia, com a retirada de cerca de 250 pessoas nos concelhos de Coimbra, Montemor-o-Velho e Soure.

O rio Mondego, contudo, mantém caudais "acima dos níveis de segurança", referiu ao telejornal o autarca de Montermor-o-Velho, Emílio Torrão.

Cerca de 400 operacionais estiveram envolvidos no apoio às populações e deverão ser reforçados domingo por 14 fuzileiros, equipados com embarcações.
Sem alarmismo
Nove localidades deverão estar prontas a evacuar, já que,após a quebra do dique, se encontram em zona de cheias súbitas.

"Informa-se que a Proteção Civil Municipal está a solicitar à população das povoações de Bencanta; Espadaneira; Pé de Cão; Casais do Campo; Carregais; Taveiro; Ribeira de Frades; Vila Pouca do Campo; e Ameal (indicativamente entre a Linha Ferroviária do Norte e o Rio Mondego) a acondicionar algum material, acautelar os seus bens e a preparar a evacuação", refere uma nota de imprensa enviada à agência Lusa pela Proteção Civil.

A decisão, de acordo com o município de Montemor-o-Novo, "deve-se à informação transmitida pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à Proteção Civil Municipal, de que o caudal do Rio Mondego, que atualmente está com 2125 m3/s no Açude-Ponte, irá intensificar nas próximas horas, existindo gravidade extrema de cheias e inundações nesta área geográfica".

Numa passagem pelas várias localidades, onde residem cerca de 2.700 pessoas, a agência Lusa constatou que a população recebeu sem alarmismo a comunicação entregue porta a porta por equipas de bombeiros, PSP e Polícia Municipal.

A Proteção Civil registou, durante o dia de hoje, 1.727 ocorrências relacionadas com o mau tempo, estando 144 pessoas desalojadas e 320 deslocadas por precaução, a maioria devido à subida das águas do rio Mondego.
Entre as ocorrências, que se somam às 9.500 registadas desde quarta-feira, a maioria relaciona-se com quedas de árvores.
Tejo de prevenção
Na bacia do Tejo, as águas começaram a baixar ao fim da tarde de sábado, embora os caudais se mantivessem acima dos níveis de segurança na bacia a jusante.

O receio de descargas por parte das barragens em Espanha levou a Proteção Civil a manter níveis de alerta elevados para toda a zona, já fortemente afetada pelas descargas da barragem de Castelo de Bode.
Em Tomar, os habitantes estão indignados com descargas poluentes oportunistas, de origem desconhecida, que afetaram o rio Nabão durante a passagem da tempestade Elsa.

Cerca das 21h40 de dia 21, foi restabelecida a circulação ferroviária na linha da Beira Alta, entre Gouveia e Fornos de Algodres.

Já a linha do Norte, que liga Lisboa ao Porto, continua fechada por causa das inundações.

Foram canceladas todas as ligações e não há previsão para a reabertura desta importante linha ferroviária. 
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