Bastonário deve "chamar os bois pelos nomes" - Francisco Louçã
Faro, 26 Jan (Lusa) - O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, sublinhou hoje em Faro que o Bastonário da Ordem dos Advogados deve "concretizar as afirmações" que fez porque, no que respeita à corrupção, "é preciso chamar os bois pelos nomes".
"O Bastonário tem uma responsabilidade que é só dele, que é concretizar as suas afirmações", disse, sustentando que as reacções dos deputados do PS e PSD às declarações provam que "há um grande nervosismo em todos os que governaram o país nos últimos anos quando o tema éa corrupção".
Considerando que se trata de "um tema de polichinelo da sociedade portuguesa", o coordenador do Bloco de Esquerda sublinhou a necessidade de "coerência e coragem" no combate à corrupção.
Louçã falava à comunicação social à margem de uma visita ao Hospital Central do Algarve, onde reuniu com a administração e visitou o serviço de urgência.
"Nós no Bloco de Esquerda sempre chamámos os bois pelos nomes", disse, considerando que a corrupção "é um cancro no interior da democracia, mas há outro tipo de responsabilidades que são diferentes", para as quais o partido "tem chamado a atenção".
"Quando critiquei Ferreira do Amaral por, ao ter sido ministro, permitir à Lusoponte o exclusivo das travessias do Tejo e agora ser presidente da lusoponte, isso é uma responsabilidade política", exemplificou.
Evocou também o caso BCP, sublinhando que "a existência de biombos em sociedades offshore é uma responsabilidade que levou a que as contas do banco estejam erradas desde 2000".
"Quando cinco dos administradores que decidiram estas operações saem com 70 milhões de euros, os nomes são Jardim Gonçalves e é preciso discutir a responsabilidade dessas pessoas", disse, reforçando que "é assim que se deve fazer a pedagogia do combate pela transparência em Portugal".
Sustentou que o sistema bancário português "é muito vulnerável", porque "joga, às vezes ilegalmente, outras vezes na fronteira da legalidade, com sociedades de paraísos fiscais, a começar pelas ilhas Caiman, que não respondem aos tribunais portugueses ou sequer europeus".
"Tudo isto servia para contornar as leis portuguesas e por isso é que as contas do BCP desde 2001 até hoje não estiveram correctas", acentuou.
Francisco Louçã participou hoje no II Encontro Autárquico do Algarve, que decorreu na sala da Assembleia Municipal de Loulé.
JMP.