BE critica "confusão" religião e política, CDS-PP defende Igreja
Lisboa, 11 Fev (Lusa) - O CDS-PP considerou hoje que a Igreja Católica tem "o direito legítimo" de expressar a sua opinião em relação ao casamento homossexual, mas na esquerda parlamentar a "confusão" entre o mundo religioso e a política mereceu críticas.
"É uma confusão nada recomendável. O mundo religioso não deve interferir na política. Cada um deve decidir de acordo com a sua consciência", defendeu o deputado do BE João Semedo, em declarações aos jornalistas no Parlamento, numa reacção à posição assumida terça-feira pelo secretário do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Morujão.
Manuel Morujão afirmou terça-feira em Fátima que o casamento entre pessoas do mesmo sexo "vai dividir os portugueses" e que há outras prioridades em que os políticos "se deveriam empenhar".
"[O casamentos entre pessoas do mesmo sexo] é uma ofensa ao casamento que é, por natureza própria, heterossexual", disse, admitindo que "as organizações da Igreja se movimentarão" para passar a mensagem defendida pelo episcopado português, "não contra ninguém, mas em favor de uma causa".
Entretanto, numa nota divulgada hoje, a Conferência Episcopal Portuguesa negou que tenha ameaçado apelar ao voto contra o PS se este partido insistir em legalizar o casamento civil entre homossexuais.
A postura da Igreja passa por "evitar tudo o que seja desrespeito ou confrontação com os órgãos de soberania, partidos e outras forças sociais da Nação", refere a nota intitulada "Clarificação sobre a projectada Nota Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa em favor do genuíno casamento".
"A Igreja pede que os católicos votem em liberdade segundo a sua consciência, esclarecida pelos princípios e a moral cristãos", lê-se ainda no texto enviado à agência Lusa.
Confrontado com a posição assumida terça-feira pelo secretário do Conselho Permanente da Conferência Episcopal, o deputado do BE João Semedo aconselhou ainda "algum bom senso à Igreja", considerando que esta não se pode transformar "em palco para comícios".
Contrariando de alguma forma a posição do BE, o líder parlamentar do CDS-PP, Diogo Feio, defendeu a atitude da Igreja Católica, reconhecendo o "direito legítimo" das instituições de exprimirem as suas opiniões.
"A Igreja tem todo o direito de exprimir as suas opiniões nas matérias que entende", salientou, lembrando não constituir nenhuma novidade a posição da Igreja Católica em relação aos casamentos homossexuais.
"É a mesma posição de sempre", enfatizou.
Diogo Feio alertou, contudo, para a necessidade da agenda política se centrar em outras matérias, nomeadamente na crise económica.
Corroborando esta ideia, o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, escusou-se a comentar a posição da Igreja Católica, argumentando que o tema do casamento homossexual não deve polarizar a agenda política.
"É um tema que merece discussão, mas não deve servir para secundarizar os problemas da crise", sublinhou.
A Agência Lusa contactou igualmente o PSD para obter uma reacção, mas os sociais-democratas escusaram-se a prestar declarações sobre esta matéria.
VAM.