Biólogo português coordena expedição científica à Austrália para estudar polvos

Biólogo português coordena expedição científica à Austrália para estudar polvos

O biólogo Eduardo Sampaio vai coordenar em janeiro uma expedição científica à ilha do Lagarto, na Austrália, para estudar a "flexibilidade de pensamento" do polvo, um "animal solitário" que caça as presas em colaboração com peixes.

Lusa /
Faculdade de Ciências/ULisboa/DR

Eduardo Sampaio, que faz investigação no Instituto de Comportamento Animal Max Planck, na Alemanha, será um dos oradores do evento National Geographic Live, uma conferência com expedicionários apoiados pela National Geographic que se realiza em Lisboa e no Porto a 16 e 18 de junho, respetivamente.

Em declarações à Lusa, o investigador disse que a nova expedição irá aprofundar o estudo da "flexibilidade de pensamento" e da "inteligência social" do polvo, um "animal solitário" que, no entanto, caça as suas presas em conjunto com peixes.

O cientista português e restante equipa - que inclui investigadores das áreas da psicologia, física e engenharia - querem perceber melhor "o quanto a caça colaborativa" com peixes "representa na vida do polvo".

Na deslocação à ilha do Lagarto, situada na Grande Barreira de Corais, os cientistas vão usar um robô subaquático para observar como a garoupa-leopardo "chama a atenção do polvo" para as suas presas, que podem ser pequenos peixes, crustáceos e outros moluscos.

O biólogo e etólogo português explicou que a garoupa-leopardo, ao atrair a presa para o polvo, espera também beneficiar desse possível "gesto referencial" e comer a presa ou o que restar dela.

A equipa de Eduardo Sampaio pretende ainda aferir se o polvo sabe reconhecer os peixes que com ele colaboram na procura de alimento, por exemplo se se comporta ou não da mesma forma com um "peixe predador de emboscada", como o nero-amarelo, e com um peixe "predador muito ativo que usa os seus barbelos para encontrar presas", como o peixe-cabra-de-sela-amarela, "a espécie que o polvo serve mais vezes".

Numa investigação anterior, feita com base em filmagens realizadas no Mar Vermelho, Eduardo Sampaio e outros cientistas verificaram que "o polvo `esmurra` os peixes oportunistas, que se fixam ao grupo sem ajudar a encontrar alimento, para os castigar" e que os peixes-cabra "tendem a incitar peixes de outras espécies a explorarem novos ambientes, dando várias opções de caça ao polvo, que logo toma a sua decisão".

Na palestra que vai dar em junho em Lisboa e no Porto, o biólogo vai abordar "a diversidade de mentes e processos cognitivos no meio animal". Não só os dos polvos, mas também os de iguanas marinhas.

"Os invertebrados são animais que estão no fundo da escada cognitiva, mas têm comportamentos altamente inteligentes", assinalou.

O evento National Geographic Live, com entrada paga, terá ainda como orador o neurocientista norte-americano Steve Ramirez, que "vai conduzir o público ao interior do cérebro humano".

O seu foco de trabalho é "apagar memórias negativas e reforçar as positivas nos seres humanos, a fim de ajudar a aliviar os sintomas associados ao stress pós-traumático e à depressão".

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