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Boaventura de Sousa Santos afirma que rua é lugar onde cidadãos manifestam divórcio quanto às instituições democráticas

Boaventura de Sousa Santos afirma que rua é lugar onde cidadãos manifestam divórcio quanto às instituições democráticas

O sociólogo Boaventura de Sousa Santos considera que os distúrbios ocorridos na quarta-feira nas imediações da Assembleia da República demonstram que, quando as instituições se fecham, a rua é o único lugar onde os cidadãos europeus manifestam o seu divórcio em relação aos partidos políticos e aos governos.

Sandra Henriques /
Em declarações ao jornalista da Antena1 Nuno Rodrigues, Boaventura de Sousa Santos refere que os confrontos ocorridos são um sinal dos tempos e um ensaio do muito que vamos ver nos próximos tempos em Portugal. O sociólogo constata um divórcio crescente entre as instituições democráticas e os cidadãos, que foram educados para acreditar na democracia e veem que são os bancos e os mais ricos que estão a ser defendidos.

O professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra observa que há alternativas à austeridade, mas não estão a ser postas em prática. Isto acontece porque a Europa está refém de uma receita que não quer alterar por interesses que têm que ver com o capital, com a geopolítica da Europa, e com as intenções de Angela Merkel de ganhar as eleições alemãs no próximo ano.

Boaventura de Sousa Santos defende que a receita de austeridade imposta pela ‘troika’ não pode dar resultado e acrescenta que em Portugal a classe política chegou ao poder para destruir o 25 de abril e apostada em eliminar o Estado social. As pessoas não podem aceitar que esta seja a única solução, segundo o sociólogo.

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