Bombeiros de Pedrógão Grande perderam antena de comunicações e parte do telhado

Bombeiros de Pedrógão Grande perderam antena de comunicações e parte do telhado

Os Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande, no interior do distrito de Leiria, ficaram sem a antena de comunicações e a cobertura de uma parte do edifício na passagem da depressão Kristin, constatou a agência Lusa no local.

Lusa /

"Seriam 03:30 quando se ouviu um barulho muito forte com a queda da antena, que era muito alta, e o levantamento do telhado do salão", contou à agência Lusa José Nunes, residente junto ao quartel, que não ganhou para o susto.

O morador, de 71 anos, adiantou que se levantou a "tremer com o barulho e a zoada do vento, que metia medo".

"Nunca vivenciei nada deste género e espero que não se repita", frisou.

Nas imediações do quartel dos bombeiros são inúmeros os telhados afetados, com telhas levantadas e chaminés partidas, um cenário que se repete por todo o concelho, que desde a madrugada de quarta-feira está sem eletricidade e comunicações.

A vereadora Soraia Gomes confirmou à agência Lusa que, neste momento, chove dentro do quartel dos bombeiros, devido à destruição de parte da cobertura, e que existem muitos prejuízos por todo o concelho.

Nas piscinas municipais, a Câmara criou um centro de acolhimento e realojamento para 20, que hoje já deverá receber pessoas.

A autarca destacou os estragos nos telhados das habitações e a destruição de uma parte do património florestal do concelho, salientando que a autarquia está a efetuar "todos os esforços" para acudir às necessidades da população.

A freguesia da Graça, por onde a reportagem da agência Lusa passou, terá sido a mais afetada pelos ventos ciclónicos da depressão Kristin, com localidades inteiras a sofrerem danos nos telhados das casas.

"Não deve haver um telhado de pé nesta zona da freguesia", referiu à agência Lusa Sandra Baeta, que explora o café-restaurante O Minhoto, na localidade de Altardo, junto à povoação da Graça, sede de freguesia.

Nesta localidade, já não há água desde as 17:00 de quarta-feira.

Salientando que a chuva e o vento foram "uma coisa nunca vista", Sandra Baeta disse que o temporal "meteu muito medo e que achava que ia morrer".

A sua habitação e o café também sofreram danos materiais.

A Lusa constatou em vários locais do concelho a enorme destruição causada pela depressão, nomeadamente uma unidade fabril totalmente destruída na freguesia da Graça.

Também na zona industrial de Pedrógão Grande, encostada à vila, várias empresas sofreram danos nas coberturas.

A passagem da depressão Kristin pelo território português, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território do continente, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo anunciou que vai decretar situação de calamidade nas zonas mais afetadas pela tempestade.

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