Bombeiros Voluntários de Leiria ainda sem apoio do Estado seis meses depois
Os Bombeiros Voluntários de Leiria, que viram os seus dois quartéis gravemente afetados pela tempestade Kristin, têm avançado com obras custeadas por donativos, e lamentaram hoje que, seis meses depois, ainda não haja garantias de apoio do Estado.
"Até ao momento, não temos sequer um papel de um organismo do Estado a dizer-nos que podemos contar com o apoio ou não podemos contar com o apoio. Zero", criticou o presidente da associação humanitária, José Almeida Lopes, que falava aos jornalistas no âmbito da visita do município de Leiria ao quartel sede, nos Marrazes, num programa da autarquia que assinala os seis meses da passagem da tempestade Kristin.
José Almeida Lopes recordou que chegou a dizer ao Presidente da República e à ministra da Administração Interna à data, no âmbito de uma visita, que a corporação sabia o que era preciso fazer e como fazer, pedindo apenas meios para o fazer.
"Disseram-nos que estivéssemos descansados, que rapidamente íamos ter apoio. Até hoje, mesmo até do organismo que nos tutela, que é a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, [não chegou] nada", lamentou.
O responsável recordou que os Bombeiros Voluntários de Leiria já fizeram candidaturas para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), mas continuam sem resposta.
Apesar disso, logo no dia 28 de janeiro, a corporação começou a limpar o quartel e a garantir que o apoio às populações não cessava.
"Não parámos um único minuto", recordou.
No quartel sede, as obras avançam a bom ritmo e o presidente dos Voluntários de Leiria espera que em agosto o edifício esteja já completamente operacional, com melhores condições do que tinha antes da tempestade e também com uma estrutura mais resistente, depois de ter perdido grande parte da cobertura em janeiro.
De acordo com José Almeida Lopes, as placas da cobertura são mais grossas e a estrutura metálica que a suporta é também diferente, estando preparada para aguentar com ventos mais fortes.
Já no quartel de Monte Redondo, que precisou de um novo projeto, a perspetiva é a de que a parte estrutural fique concluída até novembro, indicou.
Até ao momento, tudo o que tem sido feito tem sido assegurado através de donativos nacionais e internacionais, disse, dando nota de um apoio de 650 mil euros da Fundação Galp para o quartel sede e outros 300 mil euros para o quartel de Monte Redondo.
Mesmo com todos os donativos que têm recebido, os bombeiros andam "aflitos para ver de onde é que podem vir 800 mil que ainda faltam", notou.
As obras nos dois quartéis deverão ter um custo de cerca de 2,1 milhões de euros, disse.
No quartel sede, Gonçalo Lopes mostrou-se agradecido pela forma como a corporação conseguiu dar a volta às adversidades, assim como pelo trabalho de apoio à população, mesmo com um quartel afetado.
"Quando anunciámos que isto era para reerguer, era para fazer aquilo que vocês estão a fazer", disse, constatando que os Bombeiros Voluntários ficarão com um quartel melhor do que aquele que tinham em 27 de janeiro.