Buscas Altice. Cofundador Armando Pereira entre os três detidos

Buscas Altice. Cofundador Armando Pereira entre os três detidos

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) anunciou esta sexta-feira em comunicado que foram detidas três pessoas no âmbito das buscas na sede da Altice, em Lisboa. O cofundador da empresa Armando Pereira está entre os detidos, que deverão ser presentes ao juiz este sábado.

RTP /
Pedro A. Pina - RTP

De acordo com Procuradoria-Geral da República (PGR), foram feitas 90 buscas domiciliárias e não domiciliárias entre esta quinta e sexta-feira.
“No decurso das diligências, foram detidas três pessoas, que serão presentes a primeiro interrogatório judicial este sábado, atenta a greve dos Oficiais de Justiça que decorre ao longo do dia de hoje”, lê-se no comunicado do DCIAP.

A detenção do número dois da Altice ocorreu na noite de quinta-feira, depois das buscas feitas à sua casa, em Vieira do Minho.
Em causa estão suspeitas de crimes de corrupção passiva e ativa no sector privado, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Um dos motivos que levou o Ministério Público a decretar a detenção de Armando Pereira foi a possibilidade de risco de fuga para a França, onde reside atualmente.

“As suspeitas que levaram à realização das diligências indiciam a viciação do processo decisório do Grupo Altice, em sede de contratação, com práticas lesivas das próprias empresas daquele grupo e da concorrência. Esses factos são suscetíveis de constituir crimes de corrupção privada, na forma ativa e passiva”, lê-se no comunicado.

Terá havido ainda violação do processo decisório do grupo Altice que terá lesado quer a empresa, quer o Estado.

"Os factos indiciam práticas de deslocalização fictícia da domiciliação fiscal de pessoas e de sociedades, com aproveitamento abusivo da taxação reduzida aplicada em sede de IRC na Zona Franca da Madeira", declara o DCIAP, acrescentando que "esses factos são suscetíveis de constituir crimes de fraude fiscal qualificada, sendo estimado que a vantagem ilegítima alcançada pelos suspeitos em sede fiscal tenha sido superior a 100 (cem) milhões de euros".

Um dos negócios agora investigados envolve a venda de quatro prédios em Lisboa a fundos imobiliários por 15 milhões de euros.

Foram aprendidos “documentos considerados relevantes para a prova dos ilícitos indiciados bem como objetos representativos do resultado dos mesmos, tais como viaturas de luxo e modelos exclusivos com um valor estimado de cerca de 20 milhões de euros”.

Inicialmente previa-se que os três detidos fossem presentes ao juiz Carlos Alexandre, no Campus de Justiça em Lisboa, esta tarde, mas o interrogatório foi adiado para sábado devido à greve dos funcionários judiciais.

Este inquérito é dirigido pelo procurador Rosário Teixeira, do DCIAP.
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