Cadernos eleitorais com 650 mil "eleitores fantasma"
Os cadernos eleitorais contêm 650 mil nomes de pessoas que morreram ou já não residem em Portugal, o que representa uma taxa de abstenção de sete por cento acima da real. Esta diferença "custa dinheiro aos contribuintes" uma vez que o número de mandatos está relacionado com o número de inscritos, aponta o sociólogo André Freire.
André Freire sublinha que a diferença em causa influencia a abstenção e que o número de mandados atribuídos depende das pessoas inscritas, o que significa que os contribuintes pagam a deputados que, com outros números, não seriam eleitos.
Contactada pela Lusa, a Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI) recusa responsabilidades e sublinha que os dados são "actuais e consolidados". Os dados foram obtidos a partir dos sistemas de identificação civil e registaram 300 mil jovens eleitores, que nunca estiveram recenseados, notou.
"Os números reflectem ainda os milhares de cidadãos que, de acordo com a lei da nacionalidade com regras mais justas, obtiveram a nacionalidade portuguesa. Acresce que um número significativo de pessoas que não residem no país, mantêm bilhete de identidade nacional com residência em Portugal", explicou.
Disparidade entre eleitores e residentes a nível local
A diferença entre o número de eleitores e os habitantes é mais facilmente identificável a nível concelhio. Todos os municípios dos distritos de Bragança e Vila Real têm mais eleitores do que habitantes, refere a Lusa.
O Cartão do Cidadão vem alterar esta realidade, forçando os seus titulares a votar na área de residência em detrimento do local de recenseamento. A DGAI indicou que foram enviadas 265 mil notificações até às eleições europeias a novos titulares do cartão, que se inscreveram pela primeira vez ou alteraram a zona de residência.
Nas eleições para o Parlamento Europeu foi registada em Portugal uma abstenção de 63, 5 por cento, quando, à luz do novo cálculo, poderia ser de 56,5 por cento.