Calor extremo e risco de incêndio: autoridades apelam a comportamentos seguros nos próximos dias

Calor extremo e risco de incêndio: autoridades apelam a comportamentos seguros nos próximos dias

A Proteção Civil está a avaliar para sexta-feira pôr todo o país em nível 3 do estado de prontidão especial. O comandante nacional garante que há uma articulação perfeita entre todos os meios, para evitar o risco de incêndios.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Rui Alves Cardoso - RTP

No ponto de situação da Proteção Civil foi decretado o aumento do estado de prontidão especial para o nível três e para o nível dois.

"Aquilo que estamos a fazer é reforçar todo o dispositivo com um conjunto de pré-posicionamento ao longo do país, sobretudo nas zonas de maior impacto deste risco de incêndio", afirmou Mário Silvestre.

Foi ainda reforçado o recurso a meios aéreos.

"As medidas de antecipação foram elas todas tratadas com os escalões das sub-regiões e com os níveis municipais, havendo uma articulação neste momento perfeita e uma simbiose total".

Desde as 00h00 até às 15h00 desta quinta-feira, foram registadas 62 ocorrências, incluindo o incêndio de Vouzela.

"O que temos de fazer é reforçar a necessidade de comportamentos seguros", afirmou o comandante nacional da Proteção Civil.
No âmbito da Saúde já foram referenciados, na quarta-feira, todos os cuidados e recomendações para esta onda de calor, "que nos preocupa a todos, enquanto agentes de Proteção Civil".

"Existem recomendações essenciais que toda a população pode e deve fazer", recordou a responsável da Direção-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, acrescentando que o objetivo é "atenuar algum do impacto" que é esperado com estas elevadas temperaturas.

Entre as recomendações, a profissional de saúde enumerou a ingestão de água, a proteção em abrigos climatizados e proteger as pessoas mais vulneráveis, como as crianças, os idosos e doentes crónicos.
A participar na conferência de imprensa conjunta, o IPMA confirmou as projeções de temperaturas elevadas.

"Vamos ter dias com temperaturas muito elevadas em todo o continente. Temperaturas que vão atingir valores na ordem dos 40 graus, ou mesmo superior em algumas regiões. E, essencialmente, com noites muito quentes, com temperaturas mínimas superiores a 20 graus",
explicou Jorge Ponte.

De acordo com o especialista, este "será um episódio bastante prolongado no tempo", prevendo-se que a onda de calor se mantenha até 10 dias no interior. Prevê-se que termine ligeiramente mais cedo nas regiões do litoral.

"Segunda ou terça-feira já deverá haver um alívio"
.

Em conclusão, espera-se uma semana com temperaturas muito elevadas e com "condições desfavoráveis ao combate de incêndios", até por haver níveis muito baixos de humidade, incluindo durante a noite.
O ICNF tem os "meios prontos para atuar de acordo com aquilo que forem as determinações da Proteção Cívil", em coordenação com o dispositivo especial de combate de incêndios rurais e da Diretiva de Segurança da GNR.

Esta operação conta com mais de dois mil bombeiros sapadores florestais e "foi objeto de uma preparação com exercícios e treinos".

"Estamos, naturalmente, preparados para enfrentar este período desafiante para todos nós"
, acrescentou o responsável.
A Liga de Bombeiros de Portugal admite estar a viver um "período de alguma complexidade", juntando o "risco de incêndio florestal com uma onda de calor".

Por isso, os bombeiros têm de dedicar meios à área da Saúde e na área do combate dos incêndios.

"Os bombeiros portugueses estão habituados a tarefas difíceis e não deixarão passar as mobilizações feitas pela Autoridade de Emergência e Proteção Civil para os diferentes teatros de operações", assegurou o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, acrescentando que não vão deixar "de colaborar com a saúde".

António Antunes não escondeu que se esperam alguns "teatros de operações complicados" e apelou à cooperação entre todas as entidades.
"Este é claramente um momento sério (...) e para responsabilidade", começou por dizer o responsável da Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Jorge Verde apelou para o momento de "foco, responsabilidade nos comportamentos, cautela, respeito pelo fogo, por todas as pessoas (...) por todos os operacionais que estão no terreno".

Nesse sentido, pediu à população para não fazer fogo, "sob qualquer tipo de circunstância", nem usar maquinaria que possa dar origem a incêndios.

"A meteorologia é muito relevante no momento em que estamos, não atua sozinha e, portanto, está na mão de todos nós dar a continuação ao trabalho que todas as entidades têm feito".
As Forças Armadas estão a preparar-se, desde o início do ano, "para esta situação e para outras que possam vir".

"Juntamo-nos também aos avisos que foram feitos por parte das outras entidades"

Apesar da preparação e treino, o responsável considera que, quando chega a momentos extremos, "é sempre pouco". Está já montado um dispositivo "sobre a coordenação no âmbito da vigilância", tendo aumentado o número de patrulhas.

"As nossas patrulhas estão no terreno e têm indicação para falar à população", afirmou. "Temos também meios pré-posicionados e disponíveis a nível nacional".
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