Câmara de Lisboa cede casas ao Hospital Júlio de Matos para residência temporária

Câmara de Lisboa cede casas ao Hospital Júlio de Matos para residência temporária

O Hospital Júlio de Matos vai dispor de quatro novas residências temporárias para doentes de evolução prolongada com vista à sua integração na sociedade, anunciou hoje a Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Agência LUSA /

As instalações situam-se na Ameixoeira, em Lisboa, e foram cedidas pela autarquia no âmbito de um protocolo assinado hoje entre a câmara e o hospital, devendo estar em funcionamento no prazo de seis meses.

Nestes espaços, os doentes têm a possibilidade de viver em sociedade e mais tarde arrendarem as suas próprias casas com os seus ordenados ou voltarem para junto da sua família, disse à Agência Lusa o director do Hospital Júlio de Matos, Luís Gamito.

De acordo com Luís Gamito, a maioria dos doentes que vai para as Unidades de Vida Autónoma do Serviço de Reabilitação do Hospital Júlio de Matos já está há algum tempo no hospital e não tem para onde ir porque não têm laços familiares e sociais ou porque a família é ausente.

Actualmente, existem cinco residências temporárias, quatro das quais funcionam no hospital - onde moram 38 doentes - e uma em São Bento, onde residem seis pessoas.

O psiquiatra adiantou que as novas unidades têm capacidade (no total) para cerca de dez doentes que vão ser seleccionados pelo Serviço de Reabilitação da unidade psiquiátrica, que fará o seu acompanhamento.

Antes de irem para as Unidades de Vida Autónoma, os doentes são acompanhadas nas unidades de transição que, além de proporcionarem ocupações aos doentes, procuram encaminhá-los para programas de formação profissional.

"Estes doentes passam por um processo de reabilitação para terem autonomia", afirmou Luís Gamito.

O responsável adiantou que "há já casos de doentes que saíram das unidades e arranjaram casa própria e outros voltaram a viver com a família".

Presente na cerimónia, o vice-presidente da autarquia lisboeta, Carmona Rodrigues, afirmou que o protocolo se inscreve no âmbito do apoio clínico e conjuga a necessidade do hospital de criação de mais Unidades de Vida Autónoma destinadas a residência temporária e da autarquia de potenciar a esfera de intervenção social e de acompanhamento junto dos residentes de fogos municipais.

"Recorde-se que este tipo de iniciativa está a ser levada a cabo por diferentes estruturas do município, com instituições semelhantes que actuam noutras áreas geográficas, com o objectivo de agilizar o apoio ao munícipes com carência de apoio psicológico e aproximar as instituições dos próprios bairros", acrescentou.

Nos termos do protocolo, o hospital compromete-se a disponibilizar apoio especializado a nível da consulta externa e exames complementares de diagnóstico e terapêutica na sua área geográfica de intervenção, sempre que a CML ou outra entidade municipal competente o solicite.

Deve ainda colaborar em acções de informação e sensibilização ou na disponibilização do espaço físico do Parque Saúde de Lisboa para a realização de exposições ou eventos de outra natureza promovidos pela autarquia.

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