Câmara de Lisboa substitui administradora da Carris que se queixa de marginalização

Câmara de Lisboa substitui administradora da Carris que se queixa de marginalização

A Câmara de Lisboa aprovou hoje a exoneração da administradora não executiva da Carris Teresa do Passo, que se queixou de exclusão de reuniões e de acesso a informação da empresa, e a sua substituição por Pedro Dinis.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A proposta, assinada pelo vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis (PSD), foi hoje votada em reunião privada do executivo camarário e prevê a cessação de funções de Teresa do Passo, enquanto vogal não executiva e não remunerada do conselho de administração da Carris, e a sua substituição pelo vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Carris, Pedro Brito Dinis, até ao final do mandato, em 2029.

A votação foi secreta, como é habitual nestas situações, mas fontes partidárias disseram à Lusa que foi aprovada com os votos favoráveis de 10 dos 17 vereadores, quatro votos contra e três abstenções.

Em declarações à Lusa, Gonçalo Reis adiantou tratar-se de "um pequeno ajuste à administração da Carris", na posição da administradora não executiva "que entrou em rutura com todo o Conselho de Administração" e que "levantou uma série de temas não relevantes".

"A Comissão Executiva está a fazer um grande trabalho [...] e, portanto, nós mudámos o elemento, digamos, dissidente, o elemento que estava em rutura, e trazemos para a administração o Pedro Dinis, que é diretor de Mobilidade da Câmara Municipal de Lisboa e que também traz uma valência setorial na área dos transportes e da mobilidade", apontou o vice-presidente da câmara.

A proposta prevê igualmente a substituição de Pedro Dinis por José Pedro Ramos Ascensão no cargo de vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Carris.

A exoneração de Teresa do Passo surge após a gestora denunciar uma alegada exclusão de reuniões e de acesso a documentos de gestão por parte da atual administração da Carris, liderada por Rui Lopo, segundo noticiou a TSF.

A denúncia foi feita através de uma carta enviada por Teresa do Passo aos vereadores da Câmara de Lisboa, na qual se queixa do presidente do conselho de administração da Carris, Rui Lopo, e do vice-presidente da empresa, Francisco Pinto Machado.

Fonte do PS disse à Lusa que "uma vez que não foi possível obter uma resposta clara quanto à motivação para a proposta de exoneração, bem como os esclarecimentos a alguns pontos levantados na carta, o partido vai insistir nas perguntas por escrito".

Por seu lado, o BE adiantou ter sido surpreendido com a denúncia "de vários problemas na empresa, nomeadamente no lançamento atrasado três meses da auditoria à tragédia do elevador da Glória" e, por essa razão ,"e porque a empresa tem apresentado cada vez piores resultados operacionais", votou contra a proposta de alteração dos órgãos sociais da Carris.

Já o Chega acusou a gestão de Carlos Moedas (PSD) de não admitir contraditório, pelo que a exoneração da administradora em causa "está em linha com as expectativas do executivo municipal": "ou há um total alinhamento programático ou não há espaço para continuar", apontou, considerando que "os eleitores irão pronunciar-se no futuro sobre isso".

Revelando que se absteve, a vereação do Livre justificou o sentido de voto com a ausência de "uma justificação técnica" para a exoneração de Teresa do Passo "face a um contexto de conflito grave", reforçando a importância do bom funcionamento legal do Conselho de Administração da Carris e de garantias de acesso à informação e transparência, indicando que fez dois pedidos de informação escrita ao presidente da câmara sobre esta empresa municipal de transporte público, "que se encontram ainda por responder", um desde abril deste ano e outro desde maio de 2024.

Neste âmbito, o Livre defendeu "o reforço de mecanismos de supervisão independentes e o esforço necessário para a não instrumentalização política dos órgãos da Carris".

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