Câmara de Sintra procura identificar fonte de poluição em ribeira de Barcarena
Uma equipa dos Serviços Municipalizados de Sintra está a percorrer as margens da ribeira de Barcarena, dentro do concelho, para tentar identificar a fonte da poluição que no fim-de-semana matou milhares de peixes.
Fonte da Câmara de Sintra disse hoje à agência Lusa que até ao momento não foi identificada a origem da descarga ilegal que provocou a morte da fauna naquela ribeira, hoje denunciada pela Junta de Freguesia de Barcarena, no concelho de Oeiras.
A poluição foi notada sexta-feira e acentuou-se domingo, de acordo com responsáveis da Junta de Barcarena e da Câmara de Oeiras, que suspeitam de contaminação química, dadas as características dos danos causados na fauna.
A ribeira desagua em Caxias, paredes-meias com a praia, mas segundo Zalinda Campilho, do Departamento de Ambiente da Câmara de Oeiras, a situação não teve grande efeito na praia devido às marés, que arrastaram grande parte das espécies mortas.
Em declarações à agência Lusa hoje ao final da manhã, o presidente da Junta de Freguesia de Barcarena, Vítor Alves, afirmou que a descarga poluente matou todos os peixes da ribeira e que muitos foram levados pela corrente para o Rio Tejo.
Segundo o autarca, a água, que naquela ribeira era "completamente transparente", no domingo encontrava-se negra.
"O caudal também aumentou e, como não choveu, deve ter sido da descarga", acrescentou.
Vítor Alves, um independente eleito pela lista "Isaltino Mais à Frente", afirmou que foram alertadas todas as entidades competentes e que enviou um ofício ao ministro do Ambiente, Francisco Nunes Correia, a solicitar uma investigação para apurar responsabilidades.
Amostras de água foram enviadas para análise no Instituto Ricardo Jorge, enquanto algumas espécies mortas retiradas da ribeira serão analisadas no Laboratório Nacional de Investigação Veterinária, precisou Zalinda Campilho.
Os Bombeiros de Barcarena subiram a ribeira até aos limites do concelho de Oeiras e não encontraram a fonte de poluição, pelo que se presume que a origem esteja no concelho de Sintra, por onde passa também a ribeira.
"Há milhares de enguias mortas", disse à agência Lusa o comandante dos bombeiros, Sérgio Duarte, acrescentando que aos fins-de- semana dezenas de pessoas pescam naquela ribeira.
"Já há dois ou três anos houve uma descarga idêntica que matou tudo", referiu o comandante, enquanto os bombeiros continuavam a retirar enguias mortas da ribeira.
tVítor Alves indicou que a ribeira tem cerca de sete quilómetros de extensão na freguesia de Barcarena e que é praticamente impossível controlar o acesso.
A Junta de Freguesia de Barcarena e a Câmara de Oeiras aguardam pelo resultado da investigação da GNR, que enviou ao local a brigada de protecção da natureza.
Sobre os efeitos da poluição, o presidente da Junta afirma:
"seguramente podemos falar de milhares de quilos" de enguias e peixe de água doce, como bogas.
As águas da ribeira poderiam recuperar rapidamente se chovesse, mas a colonização levará anos a ser reposta, tendo sido afectada toda a fauna do sistema ribeirinho, constituída ainda por galinhas de água, patos bravos e várias espécies de rãs, de acordo com a Junta de Freguesia de Barcarena.