Caminhada pelas margens promove limpeza do Rio Tinto

Caminhada pelas margens promove limpeza do Rio Tinto

Uma caminhada de 45 a 60 minutos pelas margens do rio Tinto vai assinalar domingo a disponibilidade dos participantes para contribuir na limpeza e conservação deste curso de água que atravessa os concelhos de Gondomar, Porto e Valongo.

Agência LUSA /

"Esta iniciativa cívica pretende demonstrar a opção por um rio despoluído e da disposição para cooperar na conservação de um espaço público vivo e de qualidade", refere o Movimento em Defesa do Rio Tinto, que promove a iniciativa.

A caminhada, com o lema `Veste a camisola do rio`, realiza- se por ocasião da passagem do primeiro "Dia do Rio Tinto", recentemente instituído pela Assembleia de Freguesia local, no concelho de Gondomar, para promover a mobilização cívica em defesa da recuperação deste curso de água.

O percurso da caminhada, definido para domingo, tem um grau de dificuldade classificado como `fácil`, desenvolvendo-se em terreno plano e apenas com duas pequenas subidas.

A caminhada terá início na Praça da Estação e permitirá observar, entre muitos outros pontos de interesse, a ponte que `provoca` as cheias no rio, o antigo local utilizado pelas mulheres para lavar roupa, as quedas de água da Quinta das Freiras e da Levada e antigos moinhos, mas também o entubamento do curso de água, que tem estado na origem de protestos ambientalistas.

A realização desta caminhada ocorre duas semanas depois do Movimento em Defesa do Rio Tinto ter organizado uma acção de limpeza das margens que permitiu recolher, entre outros objectos `estranhos`, metade de um automóvel, cadeiras de escritório, guarda-sóis, persianas, cadeiras de bebé e muitos plásticos.

A iniciativa, que reuniu 35 voluntários, visou "criar uma dinâmica social que promova a participação e o empenho de todos neste grande desafio", explicou, na altura, Carlos Magalhães, da direcção do movimento.

"A recuperação e preservação deste curso de água é um desafio de todos. Cada um tem que fazer a sua parte para que se atinja este objectivo", afirmou Carlos Magalhães, salientando a importância destas iniciativas para que "a comunidade acredite que é possível dar vida a um rio que está esquecido e degradado".

O Movimento em Defesa do Rio Tinto foi criado em 2006 com o objectivo de promover a discussão pública sobre o entubamento daquele curso de água, promovido pela Câmara de Gondomar com o objectivo de resolver o problema dos maus cheiros produzidos pela poluição do rio.

Os promotores do movimento consideram, no entanto, segundo o manifesto disponível na Internet, que "o motivo do entubamento nunca foi a resolução do problema dos maus cheiros, mas a criação de mais terrenos disponíveis para construção".

O movimento defende, por isso, a requalificação da bacia hidrográfica do Rio Tinto como forma de permitir a recuperação do leito e das margens, pretendendo ainda que a zona ribeirinha seja dotada de condições para a sua utilização pelos cidadãos, entre as quais, a criação de parques de lazer e vias para bicicletas e passeios pedestres.

A recuperação dos moinhos, azenhas e levadas existentes ao longo do rio e a eliminação "das centenas de ligações de águas residuais que drenam directamente para o rio" são outras das medidas defendidas pelo movimento.

"A requalificação do vale do rio Tinto exige a intervenção coordenada dos municípios de Gondomar, Porto e Valongo, identificando os focos de poluição industrial, agrícola e doméstica e tomando medidas para a sua eliminação", refere o manifesto.

Segundo a lenda, o nome deste rio tem origens anteriores à nacionalidade portuguesa, remontando à época em que cristãos e árabes se guerreavam nesta região.

A tradição diz que o Califa Abdelramam III, Emir de Córdova, fez uma violenta investida em 824 para conquistar o Porto, tendo a mais violenta batalha decorrido junto a um ribeiro de águas límpidas, que ficou tingido de sangue e passou a ser conhecido como Rio Tinto.

Outra explicação, mais científica, para o nome deste curso de água, resulta do facto das suas águas passarem por inúmeras rochas ferrosas, que lhe dão uma tonalidade avermelhada.


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