Campelo exige inquérito à actuação da DGS em Ponte de Lima
O presidente da Câmara de Ponte de Lima exigiu hoje a realização de um inquérito à actuação da Direcção-Geral de Saúde no surto de febre da carraça que matou duas pessoas e provocou a hospitalização de sete.
"A Direcção-Geral de Saúde (DGS) conduziu este processo com falhas enormes ao nível da articulação dos serviços e da comunicação às populações afectadas e aos responsáveis do concelho", acusou o autarca.
"Pedi-lhe a 15 de Setembro que interviesse porque o assunto era grave e só hoje é que me disseram alguma coisa, mandando um recado por interposta pessoa", criticou.
Para Daniel Campelo, houve uma "incrível falta de rigor e de respeito" pelas populações mais directamente afectadas, nomeadamente através da difusão de informações "sem a mínima fundamentação".
Campelo disse ainda que "não houve a rapidez necessária e desejável" na identificação do problema, uma vez que só hoje é que a DGS divulgou que aquela infecção foi provocada pela febre da carraça, quando o primeiro caso registado remonta a 24 de Agosto.
"Há que fazer uma análise série e profunda da fragilidade em que está a coordenação da área da saúde, para evitar que situações destas ocorram no futuro", acrescentou.
Descontente com esta demora manifestou-se igualmente o presidente da Junta de Seara, Cândido Afonso, nomeadamente por as autoridades de saúde terem aventado a hipótese de a infecção ter tido origem na água alegadamente contaminada dos poços.
"Sempre tive plena confiança na água dos poços da freguesia, não entendo como se pode vir dizer que não se pode beber porque está tudo contaminado", criticou Cândido Afonso.
No comunicado hoje divulgado no seu site, a DGS refere que neste momento estão apenas internadas três pessoas de Ponte de Lima por causa da febre da carraça, duas no Hospital de Viana do Castelo e uma no Hospital de São João, no Porto, apresentando todos "uma evolução clínica favorável".
A febre da carraça, uma doença que aparece com mais frequência durante os meses quentes e em zonas rurais, é "provocada pela picada de carraças infectadas pela Rickettsia conorii, não se transmitindo de pessoa a pessoa", explica a DGS.
Como medidas de prevenção e controlo da doença, a Direcção Geral da Saúde aconselha as pessoas a evitarem a frequência de locais no campo infestados com carraças mas, caso tal não seja possível, aconselha ao uso de vestuário protector para trabalhar no campo, como sapatos, meias e calças próprias.
A DGS recomenda ainda os proprietários de cães domésticos a mantê-los em pátios, de preferência cimentados, e com coleiras insecticidas, e "em caso de picada por carraça a procurar o médico de família e referir o incidente".
O presidente da Câmara de Ponte de Lima disse que já estão a ser estudadas, conjuntamente com o veterinário municipal e os serviços da Agricultura, medidas curativas e preventivas, as primeiras a aplicar sobre os campos e os logradouros e as segundas sobre os animais já infectados.